segunda-feira, 11 de maio de 2015

Redirecionamento.


O blog agora funciona no facebook, pessoal. Lá fica bem mais prático de postar e manter atualizado, além do alcance das publicações também ser mais facilitado e maior,  eu consigo interagir com vocês respondendo seus comentários e mensagens, posso compartilhar coisas interessantes de outras páginas, etc.
Portanto, quem quiser continuar acompanhando, curte aí: https://www.facebook.com/sesentindomae

Agradeço a compreensão e nos vemos lá.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Nada termina na maternidade, só começa.

No episódio anterior vocês acompanharam um pouco do meu drama com a perda do meu esperado parto normal e o processo escroto da cesárea. Mesmo fazendo um relato resumido, deu bastante caldo e terminei o post devendo comentar sobre o pós operatório. Pois bem...

A primeira noite no hospital foi a pior. Não sentir dor e ficar em total repouso tem o lado negativo de me tornar incapacitada de fazer praticamente qualquer coisa, logo, fui inútil.
Quem precisou segurar a barra foi o Ian, que não fazia ideia do que estava fazendo ou do que podia mais fazer. Basicamente passou a madrugada toda acordado dando colo e tentando acalmá-la, mas a tarefa parecia impossível. Eva passou suas primeiras horas de vida chorando incansável e histericamente, e eu tive que assistir isso imóvel, com o coração apertado e desesperada por não poder fazer nada incluindo não amamentar (o que explica o porquê de tanto choro).
Sim.... Como se não bastasse não conseguir segurar ou abraçar, eu também não consegui alimentar minha filha nas suas primeiras horas. Tive que aceitar e assistir ela ingerir leite artificial que davam num copinho de três em três horas, e que certamente, não a satisfazia.
Apenas pela manhã uma enfermeira nos instruiu como posicioná-la pra mamar enquanto eu estivesse naquela situação (totalmente deitada), mas ela explicou e fez tudo tão rápido que não foi de muita ajuda.

O segundo dia dela foi um pouco mais tranquilo em comparação com a primeira, mas também teve muito choro, e quem teve o sono abalado dessa vez foi a minha sogra, que substituiu o Ian como acompanhante para que ele finalmente pudesse dormir. Quanto a mim, foi logo no dia seguinte a cirurgia que me fizeram levantar e tomar banho, e esse foi o momento de maior dor física da experiência toda. Eu não sei como descrever a sensação na região onde a operação foi feita, apenas que foi muito estranha, horrível! Logo ao sentar eu me senti mal, e quando finalmente consegui ficar de pé, minha pressão despencou, minhas pernas bambearam freneticamente, meu corpo pesou, faltou ar e eu tive uma espécie de blackout (minha visão granulou até escurecer e fiquei surda por alguns segundos). Foi como desmaiar sem cair, e talvez isso tivesse acontecido se a enfermeira não me apoiasse. Aquela reação se repetiu toda vez que eu me levantei enquanto permaneci no hospital e continuou, porém um pouco mais leve, no primeiro dia após a alta.

Meu jejum acabou 12 horas após a cirurgia, e embora a comida não fosse lá as das mais animadoras, não tenho o que reclamar do serviço. Além das refeições e lanches, eu também reconheço o atendimento das enfermeiras, em geral, sempre simpáticas e prestativas - O destaque foi um senhor muito alegre e gentil, que embora fosse chamado de maqueiro mas era meio que um faz tudo, com o bordão "Só vitória!" (rs).
Saída de maternidade - "Isso é um bebê ou uma boneca?"
Embora o protocolo seja dois dias (estando tudo bem com a mãe e o recém nascido), eu não fiquei nem 48 horas no hospital já que saí de lá no inicio da tarde.
Ao contrário das enfermeiras, o obstetra que realizou minha cirurgia não foi igualmente atencioso. Eu não recebi uma única visita dele depois da operação, nem mesmo na hora de dar a alta - ao contrário da Eva que foi avaliada por uma pediatra antes de ser liberada. Nem mesmo restrições de alimentação foram passadas pra mim! Ou seja, que merda se eu não estivesse realmente bem ou não fosse tão auto didata, né!?
Enfim.. Deixamos o hospital Daniel Lipp na sexta 13/03.

A partir daí, a recuperação foi bem mais fácil. Embora a minha independência tenha vindo a longo prazo, o conforto e a privacidade de casa ajudaram bastante. E claro, a cinta também foi crucial! Tudo era muito mais fácil de se fazer usando-a, pois o que mais me incomodou no pós operatório *fisicamente falando* foi o que eu chamo de "pochete", a barriga mole que fica de lembrança do parto. Com a pochete, vem aquela sensação de que tudo lá dentro tá solto, além de causar dor nas costas porque eu não conseguia andar ereta - e ser feio. Então a cinta é a criação divina que ajuda a minimizar esse desconforto enquanto o útero vai diminuindo e a barriga volta lentamente ao seu lugar.
Ah! Eu já ia esquecer o item Fazer xixi da lista "porque pós operatório de cesárea é cu". Não sei bem o motivo ainda, mas rola um desconforto forte na hora de esvaziar a bexiga, e assim como a pochete e o sangramento (sim, a mulher sangra por alguns vários dias depois do parto, tanto normal quanto cesárea), essa dor diminui mais lentamente que o resto.
Bom. A medida que a pressão na região do corte e o medo de abrir os pontos diminuiu e minha mobilidade aumentou, experimentei outras e melhores posições pra amamentar. Demorou um pouco pra ajustar e aperfeiçoar a pegada, logo, meus mamilos ficaram machucados e doloridos nos primeiros dias; Eu fechava os olhos e socava a almofada quando ela abocanhava o peito de tanto que doía no ápice do problema! Felizmente, com estratégia e perseverança, consegui superar isso sem parar de amamentá-la.

Foto tirada há 4 dias atrás, 23 dias após a cirurgia.
Atualmente eu não preciso usar a cinta, embora use eventualmente. Minha linha nigra (aquela listra em vertical que passa pelo umbigo) permaneci aqui escurinha, e eu ainda sinto uma sensibilidade na pele acima da cicatriz, como se a região estivesse dormente ou algo do tipo.
Vez ou outra desce umas gotinhas de sangue bem clarinho e ainda sinto uma leve pressãozinha na hora de fazer xixi.
Retirei os pontos uns quinze dias depois da cirurgia, se não me engano, e meu maior problema agora é esperar pra tomar medidas que me ajudarão a gostar mais do meu reflexo no espelho (pintar o cabelo, fazer tatuagem e academia, por exemplo), ter leite o suficiente (porque essa garota mama demais!) e encontrar mais tempo para dormir. Sei que neste momento - daqui pra frente, melhor dizendo -, a prioridade é a Eva e que eu fico em segundo plano, mas cuidar de mim também é essencial.

Dito e vivido tudo isso e mais um pouco, eu me pergunto duas coisas: 1) Como alguém consegue passar por um pós operatório sem ajuda? Nem todas as mulheres tem/tiveram/vão ter a sorte de receber toda a ajuda que eu recebi e eu não consigo nem imaginar como alguém se recupera dessa cirurgia sozinha tendo que conciliar com os cuidados com o bebê, de si própria e demais tarefas domiciliares, etc. E 2) Não existe comodismo na cesariana. Beleza que a mulher não tem trabalho pra parir, mas o pós operatório vai recompensar tudo depois, haha.

Tal mal, tal filha; Bocas abertas de cansaço. Quando a manhã vira noite e eu aproveito o sono da Eva pra dormir.
Ps: Eva faz um mês neste sábado, portanto, as coisas ainda estão agitadas. Não tenho muito tempo livre (quando tenho, obviamente aproveito pra descansar) e por isso não estou conseguindo escrever como gostaria, de forma detalhada e devidamente informativa. Sendo assim, este e o anterior foram mais resumidos, MAS depois eu destrincho algumas coisas (ex: amamentação) pra dissertar exclusivamente sobre elas, beleza? Me perdoem.



segunda-feira, 30 de março de 2015

11/03/2015 - Meu parto, roubado.

Foram nove longos meses de expectativas e muito muito estudo.
Quem me conhece ou acompanha aqui ou no facebook sabe como eu desejei um parto normal e como me preparei pra isso. Acho que nunca estudei tanto pra alguma coisa, nem mesmo quando realizei a prova do Enem anos atrás. Mas, infelizmente, a prática nem sempre segue a teoria, e toda a preparação que eu tive não foi suficiente na hora de bater de frente com o obstetra, a pressão externa e as inseguranças desencadeadas pela circunstancia. Fui mais uma vítima do sistema.
Sim, minha filha nasceu linda e saudável, mas isso não me faz ter nenhum orgulho e satisfação com o meu "parto", e definitivamente isso não vai me converter em uma pró cesárea eletiva. Meu ativismo pelo parto normal continua e agora mais do que nunca eu tenho domínio pra dizer que "Não, não vejo nada de bonito, especial ou confortável na cesárea".


No dia 10/03, terça-feira, fomos ao hospital Daniel Lipp em Caxias para uma consulta. Eu estava na 41° semana de gestação e havia toda uma preocupação generalizada por se aproximar a 42° e não aparecer nenhum sinal de trabalho de parto.
Eu me sentia bem, e sentia que a Eva também estava bem. Todo o pré-natal tinha sido muito bom e consistente, então eu basicamente topei ir lá apenas pra confirmar minha intuição, numa esperança ingênua de confortar a família e consequentemente ficar mais tranquila.
Fui atendida por um médico simpático até. Ele deu uma olhada na minha cartilha de pré natal, ultras, mediu minha pressão, ouviu os batimentos dela e fez um exame de toque. Tirando o último, tudo estava ótimo e em conformidade com os resultados que obtive ao longo da gestação, porém, eu permanecia sem dilatação e Eva continuava "alta".
Como eu estava munida de informação, eu sabia que nenhuma dessas duas coisas era um problema de fato. Eu ainda teria uma semana, e se nada mudasse, o trabalho de parto naturalmente se encarregaria de encaixá-la e da dilatação, normal. Se não havia nada de errado com a gente, não tinha como prever que a coisa não iria acontecer como se espera até que a hora H chegasse. Mas, 41 semanas + nenhum sinal de tp + bebê alto + plano de saúde...  Eu já farejava o que viria, e comecei então meu próprio apedrejamento mental por ter acreditado que seria possível sair daquela consulta como eu tinha suposto.
O obstetra começou dizendo que eu poderia sim esperar até a próxima semana, só que seria "importante" fazer um doppler pra analisar a circulação sanguínea e principalmente a placenta, uma vez que "corria-se o risco" de sua qualidade estar ou ficar inferior "em função do tempo avançado" da gestação, sendo assim, o ultrassom "me daria mais segurança" pra esperar até a 42 semana. Feito isso, então ele sugeriu voltar lá no dia seguinte com o resultado para que o GO plantonista desse uma olhada; Depois comentou que particularmente "ele não costuma deixar suas pacientes passarem da 41° semana" e que se eu tivesse ido lá mais cedo, como o centro cirúrgico tinha ficado livre, ele teria me internado e feito a cirurgia naquele mesmo dia. Bem assim, na lata. Pelo menos foi sincero

Bom, era fato que eu não conseguiria uma doppler pro dia seguinte, então tudo o que eu tinha que fazer era decidir se voltava lá no dia seguinte ou não. Eu sabia que o outro plantonista também seria a favor da cesárea, já previa tudo que ele poderia falar.
Com o que o médico tinha dito, a tensão externa aumentou (com exceção do Ian, que deixou nas minhas mãos e concordava que podíamos esperar mais). Sem o ultrassom pra assegurar que estava tudo normal, as preocupações ganharam mais força e por mais que a lógica e as evidências estivessem do meu lado, não eram suficientes para convencer.
Fora isso, eu comecei a entrar num conflito interno com o que poderia acontecer se eu decidisse esperar, exemplo: Chegar na 42° semana, o tp não engatar ou demorar muito e aí me colocarem na indução e eu não gostava nada da ideia dessa possibilidade; Contrações mais dolorosas, recuperação mais difícil nos intervalos, mais intervenções desnecessárias, etc. Também não teria meu parto como desejava, sem falar que as chances de acabar numa cesárea no fim das contas seriam grandes. Dava até pra imaginar as desculpas (ou talvez realidade)... "sofrimento fetal", "presença de mecônio" e afins. Tenso. O tempo estava contra mim, e agora, minha mente também.

Voltamos no hospital no dia seguinte bem cedo e aconteceu exatamente o que eu imaginava e temia. O GO plantonista fez tudo o que o outro tinha feito com a diferença que saí da sala dele com a papelada para internação. Tchau parto normal.

Sorte ter bebido um suco e comido uns biscoitos ao acordar, pois fiquei quase dez horas em jejum.
Não sei definir o que eu pensei e senti naquelas horas enquanto esperava no quarto. Acho que nada. Eu estava num estase, mas não daqueles prazerosos e relaxantes.
Felizmente - pelo menos -, eu dividi o quarto só com mais uma moça (ela também fez cesárea), então passamos a tarde conversando junto aos nossos esposos. Alias, se não fosse por termos conhecimento da lei, Ian se quer teria assistido a cirurgia ou passado a noite. O hospital tem esse protocolo interno ilegal de permitir apenas acompanhantes do sexo feminino, e pra assistir ao parto o médico precisava autorizar, mas o Ian deixou claro que se ele não pudesse entrar, eu nem seria internada ali, e mais tarde deu jeito de também ser meu acompanhante.

Ele, na verdade, seria a pessoa mais qualificada pra escrever meu relato. Ele sim esteve em posição e condição de ver tudo pra poder contar. Eu? Deitada, grogue por causa do medicamento no soro, incapaz de me mover por causa da raqui e dos braços amarrados, com uma cortina sob meu busto bloqueando todo o meu campo de visão. O que posso melhor é relatar o preparatório para a cirurgia quando ele ainda não tinha sido liberado para entrar e eu estava plenamente consciente.

Embora eu transpirasse horrores no caminho até o centro cirúrgico, me surpreendo com a força psicológica e emocional que sustentei até o "grande" momento. Não apenas pela decepção, mas por causa da minha leve fobia com ambientes hospitalares. Aquela sala era angustiante! Um péssimo lugar pra receber um novo ser humano, e toda aquela aparelhagem e profissionais? nada daquilo me transmitia a tal segurança que o hospital dá a maioria das pessoas.

Até onde me lembro, a sala era super iluminada, refrigerada e organizada de uma forma que deixava a maior parte do espaço livre. No centro ficava a "cama" onde eu fiquei sentada por alguns minutos. O medicamento que o anestesista colocou no soro fez efeito quase imediato, me deixando tonta e leve. Acho que já estava tremendo naquele momento, mas não necessariamente como efeito colateral da intra-venosa.
Depois de uns minutos, o anestesista veio com a raquidiana. Mexi muito; Quando ele aproximava a agulha nas minhas costas, dava aquele arrepio na espinha e eu me contorcia involuntariamente. Ele e a enfermeira pediram pra eu não me mexer, mas não era algo que eu conseguia controlar. Felizmente, não deu nenhum problema.

Rapidamente, comecei a sentir um calor subindo dos pés até a perna junto de um leve formigamento. Foi só aí que eu me deitei e eles começaram a preparar o "cenário"; Fui despida e enquanto iam cobrindo algumas partes do meu corpo, montando a cortina, amarrando meu ante-braço e passando algum treco pela minha barriga, o formigamento aumentava num ritmo acelerado, logo alcançando meu baixo ventre - tanto que eu mal senti colocarem a sonda. A sensação evoluiu de um adormecimento para uma incapacidade total de mover minhas pernas e pés. Na barriga, quando deslizavam a gaze (ou já estavam me cortando?), parecia que ela descolava um velcro da minha pele.. Uma sensação meio bizarra, mas nada dolorida. E isso foi a última coisa que eu senti dali pra baixo até horas mais tarde.
Todo esse processo de preparação pareceu demorar bem mais do que o período de tempo em que creio que o médico começou a me abrir até o choro da Eva, e ao mesmo tempo, aqueles foram os minutos mais longos da minha vida.
Ian já estava na sala nessa hora, e me confortava ao pé do ouvido lembrando disso.


Mesmo grogue, eu tentava ouvir o bip do meu ritmo cardíaco e esperava ansiosa por algum sinal dela, que chegou com um choro alto. Infelizmente eu não vi quando ela saiu (melhor dizendo, foi retirada) de mim. Não vi como fizeram isso e o que fizeram com ela depois. Eu ouvia a equipe fazendo comentários sobre ela ser cabeluda e bonitinha misto ao seu choro intenso que certa hora ficou estranho porque, creio eu , a aspiraram. Lembro-me também da voz do Ian falando que não queríamos que aplicassem o colírio de nitrato de prata (algo que eu havia pedido veemente mais cedo pra ele fazer quando chegasse o momento), e pelo menos esse item do meu plano de parto aconteceu. Então soltaram meus braços, trouxeram ela enrolada para perto do meu rosto e tiraram algumas fotos pra gente. Eu mal visualizei o rostinho dela no estado em que eu estava.

Meus batimentos caíram um pouco enquanto me costuravam (eu acho que faziam isso nessa hora) e tive aquele pensamento recorrente e estúpido de que iria morrer ou algo do tipo, mas sabia que não. Daí, minha memória dá um salto para eu sendo colocada na maca > me passarem para a cama + me colocarem uma espécie de fralda > Eva sendo colocada perto de mim.
Infelizmente eu nem sei dizer quanto tempo ela ficou ali, minha reação, como ela estava, pois eu estava muito sonolenta e fraca. Outro incômodo também era o efeito da anestesia que persistiu por algum tempo (eu pedia o Ian para mexer e contorcer um pouco os meus dedos na tentativa de diminuir a agonia) e a ausência de um travesseiro, que de acordo com a enfermeira, era pra evitar que eu ficasse com cefaleia por causa da raqui.
E então eu apaguei e dormi por algumas horas... ou minutos (?). Minha noção de tempo era nula. Só sei a hora que Eva nasceu por causa da pulseira de identificação: 20h20m.


A verdade é que não há nada de especial na cesariana, exceto quando ela salva uma vida.
Não posso defender dizendo que "ah, mas ela trouxe minha filha e isso é especial".. Não. Ela não "trouxe" a Eva. Ela TIROU a Eva de dentro de mim, onde ela ainda estava muito bem, obrigada, e se "pelo menos ela nasceu com saúde", isso não é mais do que obrigação da equipe cirúrgica, uma vez que minha filha estava completamente saudável até então, e a responsável por isso fui eu que a gerei por nove meses e policiei meus hábitos.
Na cesárea eu não sou protagonista do meu parto, tampouco minha filha. O ambiente é frio, os profissionais são indiferentes e eu não vejo como me emocionar com a situação, pois ela não me oferece nada pra sentir envolvida. Eu estava ali, mas estava longe, levada pelo efeito dos medicamentos no soro e da anestesia. Eu estava ali exposta para estranhos que viam a mim e a Eva como mais uma, sendo aberta e costurada, vulnerável e incapaz de monitorar o que faziam com a minha filha, que não apenas chegou ao mundo no susto carregada e esfregada por estranhos, mas foi também impossibilitada de se juntar a minha pele e seio imediatamente após sair de meu ventre e encontrar os olhares afetivos de seus pais...
Pensar que ela não se lembrará de nada também não torna a coisa mais aliviante... eu vou lembrar, pois o que era pra ser o momento mais memorável da minha vida, é apenas um conjunto de lembranças majoritariamente desagradáveis e cheio de lacunas. 

Obs: O relato do pós operatório eu conto no próximo post. Aguardem.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Lugar de grávida é aonde ela quiser!


Sabe, é meio impossível ser mãe e não acreditar num mundo melhor. Fazer isso é parte fundamental do processo de aceitar a ideia de gerar e criar um novo ser humano, pois sem esse otimismo, trazer uma nova vida ao mundo não faria sentido seria cruel. Viver tem que valer a pena.
Infelizmente, a sociedade sempre dá um jeito de lembrar o porquê disso ser tão difícil, e recentemente a sociedade fez isso de novo.

A imagem de uma gestante desfilando numa escola de samba fez a alegria dos falsos moralistas, machistas e sensacionalistas nas redes sociais nestes últimas dias.
Algumas páginas de humor se aproveitaram da imagem e fizeram piadinhas linkando o caso com a questão dos assentos e filas preferenciais. "Ficar na fila do caixa não pode, mas sambar na Sapucaí pode? Me aguarde!", dizia uma dessas imagens, por exemplo.

A principio eu levei as publicações na esportiva e preferi pensar que era apenas brincadeira, uma tentativa de humor negro, digamos assim.
Eu achei que, assim como eu, todos viam ali um caso muito específico de gestante e que seria simplesmente sem noção usar aquele exemplo pra generalizar e achar que todas as mulheres possuem o condicionamento físico de uma passista, e que deslegitimar a importância dos lugares preferenciais com aquilo seria de uma ignorância absurda... Mas eu me enganei. 

Eu vejo essa falta de empatia das pessoas com quem não conhecem e grupos da qual não pertencem o tempo todo, mas nunca tinha visto dessa forma contra grávidas (e idosos também, sobrou até pra eles). Talvez eu nunca tivesse visto antes porque não era uma e vivia num mundo diferente.
Mas mesmo quando eu não fazia parte deste grupo, quando não fazia ideia de como era a rotina de uma grávida e todas as transformações e dificuldades consequentes de uma gestação, era impossível não ter sensibilidade. Entender a necessidade dos lugares preferenciais era pura questão de bom senso, educação e respeito, nada difícil de se compreender e ainda menos "sacrificante" de se respeitar. Tão tão simples, que eu sempre achei patética a ideia de precisar sinalizar assentos e filas com placas forçando uma conscientização que deveria ser natural.
Sendo assim, doeu ver o nível de cinismo e egoísmo das pessoas, que geralmente são mascaradas, dessa vez sendo tão escancaradas e de forma demasiadamente injusta.
Alias, mais do que falta de sensibilidade, os comentários beiravam a burrice. Burrice porque as pessoas estavam expondo seu egoísmo gratuitamente em imagens que pegavam este caso isolado - de uma grávida com preparação, saúde e certamente acompanhamento médico, que a possibilitava de desfilar e sambar por um hora na Sapucaí - para falar de forma geral, como se todas as gestantes pudessem ser enquadradas igualmente; Todas possuem plena condição de ficar em pé numa fila por minutos ou horas, ou então de entrar num ônibus ou metrô e ficar plantada no meio de uma multidão correndo o risco de cair numa freada repentina ou de levar uma cotovelada na barriga sem querer. (Ps: estas coisas também podem acontecer com gestantes passistas, atletas e afins). Ou seja, não se trata apenas do bem estar da mulher. A preocupação principal é em preservar o bebê. Mas não... As grávidas são oportunistas! Se aproveitam de sua condição para "tirar o lugar" dos outros. Puf, Hilário.

E aí a pessoa vem "Mas e o bebê daquela passista também não corria risco com ela sambando daquele jeito? Que irresponsável! Ela podia escorregar, tropeçar, blábláblá". Talvez sim. Poderia acontecer isso realmente, mas essa chance também existe quando a mulher simplesmente caminha na rua - ou em casa -, com ou sem salto. E aí, a gente faz o quê? Não sai da cama?
E sobre a "irresponsabilidade", gravidez não é doença. Como se sabe e eu já falei, passistas possuem preparação pra tal atividade. Somente ela (e seu médico) sabem da condição de saúde dela e do bebê e seus limites. Se você é contra esse tipo de coisa, beleza, seja contra pra você. Não desfile, não sambe, não faça atividades que julga inapropriado para uma gestante, mas não se ache em posição de apontar e criticar quem pensa diferente, quem gosta e quem é capaz. 

Numa dessas publicações do facebook, no meio de tantos comentários descabidos, um rapaz falou algo sobre lá (Sapucaí) e pular carnaval "não ser lugar de grávida". Clássico; Um homem querendo nos dizer o que e como fazer alguma coisa, mesmo sendo algo da qual é incapaz de ter qualquer domínio pessoal sobre o assunto. Clássico; Um homem disseminando a ideia de controle sobre o corpo/vida da mulher quando este só pertence a ela e ninguém mais.
Pois eu lhe digo: Lugar de grávida é aonde ela quiser! É onde ela deseja e é capaz de estar, e se ela quiser e/ou precisar chegar nesse lugar sentando num lugar preferencial, ela tem esse direito. Ponto.

Quem me conhece sabe que sou mulher de um dj e produtor e acompanho-o na maioria das festas desde sempre; A última, por exemplo, foi ontem (sábado), e estou com nove meses.
No entanto, eu passo a maior parte do tempo sentada, pois embora eu não seja exatamente uma sedentária, tenha feito aulas de dança ao longo da infância e adolescência e todo o meu pré natal tenha sido ótimo, eu não tenho a mesma disposição que aquela passista, rs.Uma pena!
Ficar quietinha é uma opção minha, é como eu me sinto mais confortável - assim como não beber e não fumar, que eu também não faço mais nas baladas desde o inicio da gestação. Mas o fato de ir nas festas não me torna uma pessoa irresponsável, ou faz mal pra mim ou para a Eva.
É engraçado como sempre tem alguém nestas festas se surpreendendo com a minha presença lá. Se eu falar a idade gestacional então, a pessoa já abre aquele olhão e bota a mão no rosto com um "menina, que coragem!".
Eu não entendo muito bem o que há de corajoso nisso. Provavelmente o susto se deve ao fato de simplesmente não estarmos acostumados a ver grávidas nestes ambientes. E realmente, casas noturnas não são os lugares mais apropriados para nós.
Não se trata de moralismo, ok! Falo isso porque muitas boates carecem de lugares para sentar e descansar, e para as que não bebem e não dançam loucamente, seria meio sem sentido mesmo ir pra uma festa assim, rs. Eu vou basicamente para prestigiar o trabalho do meu esposo e amigos produtores (até porque eu também sou designer da maioria destes eventos), e aí consequentemente, me distraio, o que é ótimo pra minha saúde mental!

Também é comum alguém explicar que me acha corajosa porque a pessoa no meu lugar ficaria com medo em função do parto, tipo "já pensou você parir aqui!?". Eu dou risada. É difícil acreditar que alguém realmente acha que a coisa toda se daria assim vapt vupt, que eu fosse parir de um minuto para o outro!
As vezes eu tenho a chance de lembrar/explicar sobre os pródromos, que o trabalho de parto é demorado, que até chegar no momento do expulsivo poderia levar horas, e portanto, eu teria tempo de sobra pra sair da boate e ir para a maternidade de boa - que a proposito, se tratando de uma festa no centro do Rio (exemplo Teatro Odisseia ou Espaço Acústica), eu chegaria em menos de dez minutos, bem melhor do que se eu estivesse em casa, que levaria uns quarenta minutos no mínimo, rs.
Enfim. Sou um caso isolado, assim como a passista. 

 Look para a festa (Over.Dose Beijoqueira) de ontem.
Estar grávida nos limita sim, cansa sim, pesa sim (e muito). Além disso, muitas mulheres trabalham a maior parte da gestação; Não andamos de ônibus e metrô por prazer! Não encaramos filas porque gostamos. Alguém faz isso? E ficar em pé parada é bem mais cansativo do que em movimento, e acredito que isso vale mesmo quando não se está grávida, faça um teste.
É claro que há pessoas não grávidas que podem estar mais cansadas, e portanto mais necessitadas daquele lugar do que uma gestante. Logo, se você está bem disposta e/ou não vai demorar, basta não aceitar o lugar, ou cede-lo para outra pessoa. Eu sempre fiz isso e continuo fazendo, mesmo não pegando muito transporte público ou filas; Da mesma forma, já vi muitos idosos recusando ou cedendo lugares.
Mais uma vez: a conscientização deveria ser natural e válida para todos, preferencial ou não.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Nove meses. E agora?


Ansiedade, ansiedade e mais ansiedade me define.
Eu me aconselho mentalmente, minha doula me aconselha no facebook, conselhos everywhere, mas nada que seja dito consegue exterminar esse misto de euforia e impaciência.
Quem já engravidou ou está nesse mesmo período certamente me entende. Eu bem que gostaria, pois sei que não é bom, mas não consigo exercer controle sob minhas emoções.
Eu me sinto como um cronômetro, que sempre esteve ali pronto pra contar os minutos, mas só agora foi ativado. Qualquer desconforto eu já fico no alerta; "Opa! Será que agora vai?!"... Já perdi as contas de quantas vezes me peguei nesse pensamento desde a semana passada - sempre animada.
Alias, isso é até meio engraçado, porque geralmente eu topo com gestantes nervosas, felizes sim, porém, ainda amedrontadas com a ideia da dor e tudo o mais, enquanto eu fico na expectativa de sentir logo uma contração pra valer, e embora eu tenha sim receio de como será o tratamento que vou receber, nenhum medo consegue superar essa necessidade de saber como é a experiência de parir. 
Se eu vou aguentar até o final, se vai ser tudo como eu planejo e tal, isso são outros quinhentos.. Mas eu não me perdoaria se não tentasse, se não sentisse o gosto.

A essa altura, com exceção de algumas coisas que ainda estão para chegar vulgo colchão, bebê conforto, alguns sapatinhos, temos quase tudo esperando pela pequena Eva,
O cantinho que improvisamos no nosso quarto já está meio caminho andado, faltando apenas os acabamentos no berço, e até as bolsas da maternidade estão quase que totalmente preparadas (segue abaixo uma lista com itens que levarei, pra quem quiser uma ajuda), faltando apenas acrescentar coisas minhas que eu prefiro colocar no dia quando os sinais do trabalho de parto começarem. Primeiro porque são coisas que eu utilizo no meu dia a dia, e então seria chato ficar tirando e botando na mala. Segundo porque eu quero ter alguma coisa pra ajudar a distrair e passar o tempo no dia entre uma contração e outra.

Por falar em maternidade, já disse em oportunidades anteriores que não sou muito das convenções sociais, mas eu não curtir muito certas coisas, não significa que eu vou impedir quem gosta de providenciar.
Tô explicando isso pra justificar essas corujinhas aí da foto, rs. São chaveiros de lembrancinha pra galera que for nos visitar após o nascimento da monstrinha, encomenda na minha sogra, bem como esse treco de porta que eu não sei/esqueci o nome. 


Aviso que prefiro que as visitas sejam feitas quando eu já estiver em casa, rsrs. 



Ansiedade e preparativos à parte, no diz respeito a Eva, parece que ela não está tão afoita quanto a gente não. E mesmo seus 50cm e 3 kgs parecem ainda muito bem aconchegados no meu útero.
O mesmo não pode se dizer de mim, que recebo chutes e porradas com mais força e frequência (quem disse que eles se mechem menos no final da gestação não conhece essa menina), além do peso na pelve que causa um desconforto chato especialmente no cóccix. 

Embora minha dpp (data de previsão de parto) seja para o dia 05/03, a Eva já está numa idade gestacional que não seria mais considerada prematura caso resolvesse nascer. Não à toa, a grande maioria das cesáreas são agendadas para a 38° semana, pois é quando o bebê supostamente já está desenvolvido e apenas ganhando peso. O único problema é que isso nunca é efetivamente uma garantia uma vez que cada bebê se desenvolve diferente, e consequentemente, tem-se uma frequência elevada de recém-nascidos na UTI por prematuridade. Até porque, diga-se de passagem a critério de informação, ultrassons nem sempre são precisos! A margem de erro pode ser de até duas semanas, para mais e - principalmente - para menos, ou seja, o médico/mãe pensa marca a cirurgia pra tal dia achando que o bebê tem 38, quando na verdade ainda tem 36, por exemplo. :/
Mas voltando aqui no meu caso, nada de pródromos por enquanto.. Nenhum sinalzinho de trabalho de parto se quer - pelo menos, nenhum que eu consiga perceber.
Haviam algumas apostas de que ela viria dia 17 ou 18, o que seria bem legal por causa da virada pra Lua Nova. Erramos (as apostas eram minha e da minha sogra). Agora a nova torcida é para o dia 23 ou 25; No caso da segunda data, tem virada pra Lua Crescente (é, eu tenho uma coisa com lua #pagã). Se errarmos de novo, que a minha go então tenha acertado e a Eva chegue dia 05, que é Lua Cheia. *-* Quer dizer... Por mim ela poderia chegar hoje que tava melhor ainda, mas deu pra entender.

E aí, mais alguém quer entrar no bolão?! \o/

Três bolsas e eu ainda tenho sérias dúvidas se vai caber tudo. 
Abaixo eu transcrevi o que listei originalmente pra levar para a maternidade. Na prática houveram alguns acréscimos.
Como eu sou marinheira de primeira viagem, elaborei os itens me baseando na lista de outras mamães, então não sei se tudo será usado, se vai faltar algo, etc.
Algumas maternidades fornecem determinadas coisas (tipo fralda e absorvente), mas eu prefiro não contar com isso. Sendo assim, não se garante nas minhas ideias não, até porque eu fiz uma lista para 48 horas - que é o protocolo no caso de parto normal, sem complicações e tal. Pode se basear nesta se quiser, mas adicione um pouco de intuição e arrume sua bolsa como achar mais adequado.
  • Dois pacotes de fralda RN;
  • Um pacote de lenços umedecidos;
  • Uma pomada p/ assaduras;
  • Um sabonete glicerinado (pra Eva);
  • Um álcool em gel pequeno para higienização das mãos dos visitantes pq sim, serei chata quanto a isso rs;
  • Escova de cabelo;
  • Duas toalhas fralda;
  • Seis fraldinhas de boca;
  • Dois cueiros;
  • Três trocas de roupa contendo body, meia, calça, blusa c/ manga;
  • Duas luvinhas e toquinhas;
  • Roupa da saída + manta 
  • Três camisolas;
  • Penhoar;
  • Três sutiãs de amamentação;
  • Cinco calcinhas grandes;
  • Chinelo comum / Chinelo para banho
  • Absorventes noturno;
  • Absorventes para seios;
  • Roupa da saída;
  •  Desodorante, sabonete, pente, escova/pasta de dentes, maquiagem, câmera, celular, carregadores, documentos, exames e lembrancinhas. 
Bom. Eu sou uma pessoa muito prática e com senso de economia. E como comentei nos posts anteriores, eu não pretendo incluir chupeta e mamadeira na rotina da Eva nos primeiros meses, então algumas de vocês poderão achar minha lista pequena em comparação com outras por aí.
Espero que ajude mesmo assim. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Meu plano de parto e os porquês - Parte 3

*Essa é a última parte deste post especial. No final do post você encontra o redirecionamento para as partes anteriores.
Não deixe de abrir os links e complementar a leitura*



Ops. Passei longe da data de previsão pra esse post, desculpem-me. Então vamos direto ao assunto.

Cuidados com o bebê:
- Amamentação sob livre demanda, não oferecer agua glicosada, leite materno de banco de leite, formulas ou bicos;
- Alojamento conjunto o tempo todo, sem separação para observação. Caso seja necessária a separação, o pai deverá acompanhá-la o tempo todo.
- Avaliação na presença de um dos pais;
- Não dar banho ou vestir sem me consultar;
- Não passar sonda sem necessidade;
- Não quero que meu bebê seja aspirado. Caso realmente necessário, que seja feito na minha frente;
- Não aplicar Vitamina K, Nitrato de prata ou vacinas sem me consultar;
- Caso seja necessário algum procedimento de urgência, me avisar dos detalhes e porque está sendo feito.

Na parte anterior, eu já comentei sobre a importância da amamentação na primeira hora de vida do bebê e de como isso tem sido uma medida cada vez mais exigida pelos órgãos de saúde. Porém, não basta só a primeira mamada, tem que ser em livre demanda!

"Nas primeiras duas horas de vida existe um estado de alerta, em que o bebé fica desperto, calmo, de olhos abertos, atento aos sons e movimentos sendo o período em que o instinto de mamar é mais forte. Se, pelo contrário, o bebé não for colocado ao peito logo após o nascimento acaba por adormecer, dificultando o estabelecimento com sucesso do aleitamento materno (...) A amamentação sem restrições do número e da quantidade de mamadas deve ser um objectivo desde o início. O bebê deve mamar sempre que quiser, as vezes que quiser, o que contribui para uma melhor produção e descida do leite (...) No primeiro dia a quantidade de colostro que o bebé mama é muito pequena mas tem tudo o que bebé precisa. A amamentação não deve ter restrições, de dia e de noite, já que é um fator importante no estabelecimento do aleitamento materno com sucesso." [x]

A água glicosada e os complementos são procedimentos automáticos nas maternidades. Se não há uma prescrição especifica (ex: casos de hipoglicemia; bebês que estão em tratamento de fototerapia; ou quando a mãe não teve colostro) eles são desnecessários, uma vez que o leite materno supre todas as necessidades e tem mais benefícios para o recém-nascido.

"As mulheres que optam por usar o bico de silicone, devem saber que o uso desses bicos intermediários, feitos de silicone ou outro material (não importa se rígido ou flexível), também pode causar a confusão de bicos, pega incorreta, diminuição na produção de Leite Materno, dificuldades de cicatrização do tecido mamário, entre outras dificuldades na amamentação." [x]
É comum que na primeira dificuldade com o aleitamento, ou no desespero para acalmar a criança, sugiram o uso de bicos, mamadeiras e chupetas, mas estas são facilidades que resolvem um problema criando outros. Em vez de aceitar esses acessórios sem pensar duas vezes, entre em grupos de amamentação e peça ajuda.

"Em nenhum momento é explicado que o bebê que mamar com o bico de silicone será privado do contato pele a pele com mãe, que a pega será errada, que ele irá abocanhar apenas o mamilo e que quando esta mãe tentar retirar o bico, a criança irá chorar, desesperada para mamar naquilo que lhe é confiável e que foi ofertado desde o primeiro contato.
Existem casos em que o bico de silicone pode ser útil, como em casos de mamilo invertido, mas ele deve ser utilizado por tempo determinado" [x]


Desde que eu engravidei eu comecei a questionar as mães que eu conheço se elas ficaram com os bebês após o nascimento ou se eles foram separados e o pobrezinho ficou em observação, isso porque eu tinha aquela imagem clássica de filmes e novelas do berçário e tal na cabeça. Isso nunca fez muito sentido pra mim, e realmente não faz. Novamente: a não ser que exista uma real necessidade, que algo tenha acontecido com a criança para que ela precise ficar em observação, não há nada que impeça que ela fique com a mãe caso esta queira; O bebê pode ser monitorado no colo, e a nota de Apgar pode ser dada sem que ele seja retirado. A correção do corte do cordão (quando necessário), o exame físico completo, identificação e pesagem podem ser feitos depois da primeira mamada tranquilamente, e o recém nascido pode então voltar para a mãe.

"Não é necessário aspirar bebês saudáveis, nem colocar sondas na boca, nariz, ânus e vagina. A maior parte das mal-formações genitais podem ser observadas a olho nu. As atresias de esôfago são tão raras que não se justifica colocar sonda nos esôfagos de todos os bebês, pelo próprio risco do procedimento. Em suma, bebês não precisam de sondas." [x]

Eu faço isso o tempo todo ao longo do texto, desta e das demais partes, mas é importante frisar: todos os procedimentos médicos devem ser questionados. Não fique na ideia de "ah, mas quem vai saber mais que o obstetra/pediatra?! se ele tá fazendo isso, é porque tem algum motivo". Até tem mesmo, mas quem disse que tudo é feito pensando de fato no que é melhor pra você e seu bebê?!
Como vemos, a grande maioria das práticas são puro protocolo, sem avaliação individual. Então queridas, se não existe motivo para que certa coisa seja feita, não deixe ser feita. A gente tem essa mania de pensar que "ah, se não faz mal, que problema tem?" Tem e muito. Afinal, você gosta de sentir dor, de ficar sozinha? Acho que não. Então o que te faz pensar que o seu bebê, em seus primeiros minutos fora do útero, tão frágil e dependente, vai gostar ou suportar bem? A maioria das intervenções seriam dolorosas para nós adultos, imagina então para um recém nascido! Se você pode evitar que ele passe por isso, evite. Tenho certeza que você faria isso por você.
O que nos leva a um dos procedimentos mais escrotos e reproduzidos sem distinção: o colírio de nitrato de prata.

"O colírio serve para tratar de uma possível infecção causada pela transmissão de uma bactéria que causa a conjuntivite gonocócica, que pode, caso não seja diagnosticada ou tratada, levar à cegueira. Ok, concordamos que é um risco real para uma mãe que seja portadora da doença, comumente conhecida como gonorreia, e que, nesses casos, a medicação deve sim ser administrada. Mas algumas questões a serem consideradas: Se durante o pré-natal a mulher faz exames e descarta a existência de contaminação por essa bactéria, por que o remédio deve ser aplicado? Por que os bebês nascidos por via cirúrgica, ou seja, cesariana, também recebem rotineiramente essa aplicação, se não entram em contato com o canal vaginal e por consequência não seriam infectados?
Essas duas perguntas já derrubam toda a credibilidade do procedimento, estipulado segundo protocolos totalmente arbitrários e em desconformidade com a medicina baseada em evidências.
O credé é extremamente incômodo, arde. Causa, na maior parte das vezes, uma reação conhecida como conjuntivite química, gerando dor e estresse" [x]


A vitamina K (injeção) é um caso mais particular, e cada mãe pode se instruir com sua médica durante o pré natal para saber se há uma real indicação para a aplicação no bebê, uma vez que esta "é uma situação clínica delicada e infelizmente cada vez mais comum, devido à extensa medicalização da vida adulta e da gestação. Sabe-se que mulheres que fizeram uso de anticoagulantes, anticonvulsionantes e tubercoloestáticos durante a gestação têm bebês mais suscetíveis à doença. Não há, entretanto, um grupo de risco definido que padronize a aplicação da vitamina, então o protocolo é a aplicação em todos os bebês." ¹
Até então, como eu não me incluo nesses grupos acima, somando a outros fatores (como a amamentação em livre demanda e na primeira hora + o não corte imediato do cordão), não vejo motivo para submeter minha filha a tal injeção; Além do mais, existe a alternativa da aplicação via oral, bem menos desagradável, né!

Junto do nitrato de prata, acho que só a aspiração deve ser tão (ou mais) horrível para um bebê ser submetido logo ao nascer.

"O procedimento de aspiração rotineira para remover secreções das vias orais e nasais do RN tem uma utilidade um tanto duvidosa. Segundo os pediatras que o fazem os possíveis benefícios são a melhora da troca gasosa e redução da possibilidade de aspirar secreções. O que eles não contam é que os potenciais riscos da pratica incluem arritmias cardíacas, laringoespasmo (oclusão da glote devido a contraçäo dos músculos da laringe), e vasoespasmo da artéria pulmonar. A grande maioria dos bebês nascem bem e não precisam ser aspirados. Eles são perfeitamente capazes de limpar suas próprias vias áereas (tossindo, espirrando). Além disso, os bebês que nascem por parto vaginal, ao passar pelo canal de parto, os pulmões do bebê são massageados, provocando a expulsão natural dos líquidos. A aspiração, tanto a orotraqueal (pela boca) quanto a nasotraqueal (pelo nariz) causam muito desconforto para o bebê, basta que você imagine um cateter (sonda) sendo enfiado no seu nariz e indo até a sua traqueia, "aspirando" tudo que tiver lá e depois sendo puxado para fora novamente. Agora, imagine passar por esse procedimento no seu primeiro minuto de vida, após sair de um ambiente quentinho, escuro, protegido. Sem dúvida não é uma boa maneira de se chegar ao mundo né?" [x]

Fechando essa sessão, vem uma questão menos traumatizante, mas que também vale abrir parênteses: o banho.
Acredito que o reflexo da maioria é não ser contra esse procedimento, pois na nossa cultura, o banho é sinônimo de higiene, e portanto benéfico, ainda mais considerando que o bebê nasce todo melecadinho e "sujinho", etc. Né?! Engano seu e o motivo é simples: vérnix.

"Ele tem como função fazer uma barreira na pele e evitar a perda de água, atuando como grande agente de hidratação. A barreira mecânica feita por esse creme ultra-hidratante é importante para as primeiras necessidades da pele do bebê, como por exemplo, a manutenção da sua temperatura e proteção contra infecções bacterianas. Ele ajuda também na formação do manto ácido, responsável por evitar o o crescimento de bactérias patogênicas. Ao nascimento, o pH da superfície da pele é praticamente neutro (6.5), e se torna mais ácido com o tempo para aumentar a capacidade de defesa da pele.
A Organização Mundial de Saúde em suas diretrizes para os cuidados com o bebê indica que o primeiro banho não deve ser dado antes das primeiras seis horas de vida. Muitos hospitais com práticas humanistas na Europa deixam e orientam que os pais deem o primeiro banho apenas no dia seguinte ao nascimento e muitos neonatologistas declaram que quanto mais tarde, melhor, assegurando que não há nenhum mal ou risco nisso e que os resíduos de parto não são sujeira, portanto estão longe de provocar qualquer contaminação. Novas pesquisas indicam que o vérnix possui propriedades imunológicas; deixá-lo mais tempo sobre a pele do bebê é o mesmo que deixar por mais tempo uma importante camada de proteção, fazendo com que seu sistema imunológico se fortaleça." [x]


Ou seja, 1) seu bebê não está sujo e 2) o vérnix é muito melhor para o seu filho/a do que um banho logo de cara. Lembre-se também que:
"Logo após o nascimento, os recém nascidos precisam descobrir como manter sua própria temperatura corporal e o banho – mesmo que quentinho – pode causar uma queda nessa temperatura. Bebês precisam manter-se aquecidos assim que nascem e o peito da mãe é o lugar ideal (e perfeito!) para isso. Não há berço aquecido nem nada que possa competir com o colo de mãe, definitivamente;Ser separado de sua mãe assim que nasce pode ser bem desconfortável para o recém nascido, que normalmente chora e fica mais agitado. Isso faz com que seu corpo libere hormônios ligados ao stress, pode causar um aumento na freqüência cardíaca e na pressão arterial, além de reduzir temporariamente os níveis de açúcar no sangue. Quando o bebê é mantido perto de sua mãe, ele tem uma capacidade maior de regular seus sistemas e manter tudo como deveria estar." [x]

E mesmo depois das seis horas indicadas pela OMS, não é preciso dar aqueeeeele banho exagerado na criança. Riscada a absorção do vérnix, temos que nos atentar ao cuidado com o umbigo. O ideal seria optar por limpar o bebê com algodão ou toalhas macias úmidas (secando-o bem logo em seguida) até o umbigo cair naturalmente, para só então rolar aquele banho caprichado. Mas eu sei que nesse calor do Brasil isso fica mais complicado... Enfim. Só não esqueçam de manter a área bem sequinha, beleza?!

Caso a Cesárea SEJA NECESSÁRIA OU DE URGÊNCIA:
- Gostaria da presença de meu marido e Doula antes da anestesia;
- Quero filmar;
- Anestesia Peridural, sem sedação;
- Não quero meus braços presos. Caso seja necessário prender, quero que solte quando o bebê nascer para poder segurá-la.
- Após o nascimento gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito imediatamente, sem separação.
- Amamentação imediatamente;

Por cesárea necessária/de urgência, entende-se prolapso no cordão, descolamento prematuro da placenta, placenta prévia, situação do bebe em posição transversa durante o TP, ruptura de vasa prévia, distócia de parto, sofrimento fetal, ou seja, motivos clínicos reais e não mitos obstétricos como circular de cordão ou 'falta de passagem'. Mas eu tenho fé de que esta última sequência de itens será um parágrafo desnecessário como a grande maioria dos procedimentos que comentei nestes posts, rsrs. ;)

Leia:

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Meu plano de parto e os porquês - Parte 2

*Como o assunto é extenso, vou dividi-lo em 3 posts. Essa é a parte 2. Não deixe de abrir os links e complementar a leitura*

No post anterior eu comecei comentando alguns itens referentes ao trabalho de parto.
Queria dizer que fiquei contente com a recepção do post aqui e no facebook e espero que continue assim. Aos que não concordarem com alguma coisa, sintam-se livres para dar suas opiniões (com argumentos válidos, de preferência) e eu os responderei assim que possível.
Continuemos...


Expulsivo:
- Prefiro que o bebê nasça no quarto, não numa sala cirúrgica;
- Quero parir na posição que mais me agradar ou der vontade na hora do expulsivo, NÃO quero posição de litotomia (posição ginecológica) e nem pernas amarradas;
- Quero fazer força somente quando sentir vontade, não quero ser guiada ou pressionada;
- Prefiro luz baixa e ambiente calmo;
- Não quero episiotomia;
- Não quero manobras para a saída do bebê (kristeller e outras);
- Quero meu bebê imediatamente no meu colo após o nascimento;
- Quero amamentá-la logo em seguida;

Obs: expulsivo é o período do parto em que o bebê efetivamente nasce. (leia sobre essa fase aqui)

A este ponto a mulher está super exausta e louca pra acabar logo com tudo isso, ao mesmo tempo que possivelmente preocupada com o bem estar do bebê caso o trabalho de parto tenha levado muitas horas. Sem falar da equipe que certamente está ainda mais impaciente.
Se eles já se meteram antes com maneiras de acelerar a dilatação, é claro que vão se meter agora também pra acelerar a passagem do pequeno pra esse mundo; só é irônico que eles mesmo se atrapalham quando já começam errando no mais básico da coisa, a posição da mulher. 


 "A posição de litotomia é a posição menos recomendada para o parto, porém é a mais comum. Nessa posição, a mulher fica deitada de barriga para cima e coloca as pernas para cima (em estribos ou segurando as pernas) na hora de fazer força. É a posição mais comum porque é a que permite a melhor visualização da área pelo médico e uma maior área de manobra (...) Essa posição não favorece o trabalho de parto, pois o  peso do bebê fica apoiado nas costas da mulher, comprimindo seus vasos sanguíneos, ao invés de pressionar o colo do útero para favorecer a dilatação. Essa posição obriga a mulher a parir seu filho para cima, contra a gravidade, o que exige que faça mais força e, por estar puxando as pernas para cima, seu períneo fica mais esticado, aumentando as chances de laceração. Além disso, nessa posição, o cóccix da mulher fica apoiado na cama, o que atrapalha a correta dilatação dos ossos da pelve." [x]

Dar autonomia para a mulher ter livre movimentação e experimentar outras posições, mesmo que no final ela acabe nessa mesmo, é fundamental para o avanço dessa fase. Eu ainda não sei em qual posição eu vou estar quando tudo terminar, mas com certeza vou ser esperta e usar a gravidade ao meu favor e ficar em vertical em algum momento na hora de fazer força.
O que nos leva a outro item...


"Os puxos são aquela vontade natural de começar a fazer força quando o trabalho de parto chega no período expulsivo, ou seja, a dilatação está completa e o bebê está pronto para sair. É um processo completamente natural e independe da vontade da mulher, isto é, mesmo que queira, uma mulher não consegue fisicamente impedir que seu bebê nasça (...) Instigar a mulher a fazer força antes da hora é, além de inútil, doloroso, prejudicial e cansativo. A parturiente precisa concentrar suas energias e deve ser deixada à vontade para fazer força quando e se sentir necessidade. Puxos precoces e/ou dirigidos aumentam o risco de laceração (machucado no períneo), fazem com que a capacidade de oxigenação da mulher e, por consequência, do bebê, diminua, o que pode ser arriscado, causar tonturas e mal estar." [x] 


Vai! Agora, empurra! Força - outra cena clássica e dispensável de filmes e novelas.
Ou seja, se você sabe o que acontece com o seu corpo nessa fase do trabalho de parto, então vai entender que a vontade de empurrar acontece naturalmente. Não é preciso ter alguém conduzindo! Fazer isso está relacionado com uma insignificante diferença na duração do trabalho de parto¹, e simplesmente não vale a pena correr riscos mais expressivos pra diminuir o processo em 5, 10, 15 minutos.
O puxo guiado te faz gastar mais energia, na hora errada e consequentemente passar a impressão de que seu tp foi mais sofrido (e foi mesmo, só que por um erro do profissional envolvido).


E nessa linha de procedimentos que eles defendem como uma forma de ajudar o bebê a sair, tem duas intervenções que eu particularmente considero as piores: episiotomia e a manobra de kristeller. 

"Praticada em cerca de 80% dos partos, quando o ideal seria em 20%, a incisão está na mira das autoridades de saúde desde que a Medicina Baseada em Evidências provou que, na maioria dos casos, não protege nem a mãe nem o bebê. Ao contrário, seria responsável por um número maior de infecções pós-operatórias, hemorragias e até rebaixamento da bexiga. 
Esse último seria um dos fatores que levam à incontinência urinária na maturidade e ocorre porque o obstetra dificilmente consegue recompor a região pélvica como antes" [x]

A Organização Mundial da Saúde indica recorrer a episiotomia em casos de sofrimento fetal, progressão insuficiente do parto e iminência de laceração de 3° grau, no entanto, médicos realizam o corte quase que mecanicamente e sem o consentimento da gestante, e por ser uma prática tão rotineira - somado a falta de informação da grande maioria das mulheres -,
 muitas acreditam até que se trata de um procedimento "normal" e necessário, mas não, não é. Normal são as lacerações que podem ocorrer naturalmente no períneo, sendo que estas curam muito mais rápido por serem mais superficiais e podem ser evitadas ou amenizadas com exercícios e massagens na área durante a gestação.
Sobre a manobra de Kristeller, uma intervenção tão absurda que, mesmo felizmente sendo banida em alguns hospitais no país, ainda dá pra encontrar sendo feita por aí. 
Pra quem não tá assimilando termo ao ato, consiste na aplicação de pressão com as mãos/braços no fundo do útero, sobre a parede abdominal. Tenho certeza que você já ouviu alguém contando uma história de que o médico ou a enfermeira "subiu" em cima da mulher e apertou a barriga pra empurrar o bebê. Então, é isso.

"
A manobra de kristeller é reconhecidamente danosa à saúde e, ao mesmo tempo, ineficaz, causando à parturiente o desconforto da dor provocada e também o trauma que se seguirá indefinidamente 
Essa manobra é proibida em alguns países e não é recomendada pela OMS, pois além de ser uma violência com mãe e bebê, pode prejudicar o assoalho pélvico, o períneo, causar inversão uterina, ruptura uterina, e uma série e complicações no parto e pós-parto, podendo inclusive causar a morte materna ou fetal.  NÃO É INDICADA em caso algum! " [x]
Bom, ok. Pari, bebê nasceu, dor parou, que coisa linda, uhul! Tem mais? TEM.
Agora é preciso correr atrás do respeito e singularidade para o bebê, pois como se já não bastasse a robotização nos procedimentos sofridos durante o trabalho de parto, a gente também encontra este problema aqui, nos primeiros minutos e horas de vida do seu projeto de gente. E porque não começar pela recepção, nos primeiros segundos?
Pode parecer insignificante, mas faz sim diferença para o seu filho/a o ambiente em que ele chega; Lembre-se que o bebê ficou nove meses aconchegado num espaço calmo e quentinho! Imagina você despertar num mundo barulhento, agitado, com uma luz cegante e num cômodo refrigerado a menos de dezoito graus quando você está acostumado a trinta e seis? Não custa um pouco de sensibilidade, né!?
No entanto, nada é mais importante nos primeiros minutos de vida da criança (e para a parturiente também) do que nascer e ir direto para o colo da mãe. Sabe-se hoje que esse momento é tão significante que até o Ministério da Saúde determinou essa medida por aqui ano passado.
O contato pele-a-pele do recém nascido com a mãe tem vários benefícios físico e psicológicos para ambos, bem como a amamentação na primeira hora de vida. A mulher recebe um coquetel de hormônios nesse momento (responsável pelo processo de vínculo), e o aleitamento faz com que o útero se contraia, ajudando na expulsão natural da placenta.

 "Esse primeiro leite, mais rico em anticorpos, é praticamente uma vacina contra micro-organismos que podem atacar o bebê. (...) Temos estudos que já mostram muitos benefícios relacionados a esse contato inicial entre mãe e filho, como reduzir o risco de infecções e também de melhora da autoestima da mulher." [x]

"Amamentar os bebês imediatamente após o nascimento pode reduzir consideravelmente a mortalidade neonatal (a que acontece até o 28º dia de vida) nos países em desenvolvimento. Um estudo indica que é possível evitar 16% das mortes neonatais por meio da amamentação desde o primeiro dia de vida da criança, taxa que pode aumentar para 22% se o aleitamento materno começar na primeira hora depois do parto. " [x]

Após o Parto:
- Quero a expulsão espontânea da placenta;
- Bebê comigo o tempo todo, mesmo para avaliação ou exames, caso seja necessário levá-la, o pai irá junto;
- Aceito injeção de ocitocina para evitar hemorragia;
- Se houver laceração natural, quero anestesia local, sutura endodérmica;
- O pai cortará o cordão umbilical após este parar de pulsar, se ele não desejar, eu mesma quero fazê-lo.

Concluo essa parte com pedidos simples, mas que vale a pena ressaltar porque são costumeiramente desrespeitados em alguns hospitais, especialmente se a mulher não se impor.
Todos os exames realizados quando o bebê nasce podem ser feitos com ele no colo da mãe, e alguns se quer precisam ser executados assim tão imediatamente. Desta forma também fica mais fácil de analisar o que está sendo feito com o bebê, e especialmente, como está sendo feito. (Falo isso porque se você pegar alguns vídeos pra ver, salve exceções, possivelmente vai se assustar com a forma quase que agressiva que pegam e conduzem os procedimento avaliativos com o neném.)

Sobre o cordão umbilical, é comum que se clampeie/corte logo quando o bebê nasce, porém...

"Se o corte é feito logo que o bebê sai, claro que ele vai dar aquele choro forte na hora, pois ele é obrigado a expandir os pulmões se não ele fica sem oxigênio! Além de também ficar sem o aporte sanguíneo que ele naturalmente deveria receber, que fica preso na placenta. Um desperdício! O bebê ganha cerca de 100 ml a mais de sangue pelo cordão umbilical até o 3o minuto de vida, o que é um volume considerável para um bebê. E esse aporte sanguíneo previne anemia no primeiro ano de vida. Há evidências suficientes para que aconteça a mudança na prática. Uma das recomendações da Organização Mundial de Saúde é o corte tardio do cordão umbilical." [x]


Com mais essa, eu me pergunto - embora já saiba a resposta: " Pra quê a pressa, doutor?" 

Obs: Não escrevi ali no plano de parto porque ainda estou realizando pesquisas de como proceder sobre isso, mas meu desejo é doar a placenta/cordão umbilical. Se devidamente preservado, ele pode ajudar na cura de pacientes com doenças hematológicas (bem como utilizado em pesquisas com células-tronco), e como o cordão é descartado na sala de parto, seria um super desperdício.

(...)

Previsão para a última parte: 25/01

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Meu plano de parto e os porquês - Parte 1


*Como o assunto é extenso, vou dividi-lo em 3 posts. Essa é a parte 1. As demais serão publicadas ao longo das duas próximas semanas. Não deixe de abrir os links e complementar a leitura*



Cheguei a marca (melhoro dizendo, média) de trinta e três semanas de gestação. Eva já deve estar pesando uns 2 kilos, e seus sistemas estão cada vez mais maduros. Em pouco tempo ela trocará o calor do útero pelo calor dos braços daqueles que já amam, e para alcançarmos a linha de chegada com sucesso e eficiência, e principalmente, sem sermos trapaceados, é preciso muita preparação.
Traduzindo a analogia: Eu quero parto normal. Eu quero um parto normal no país recordista de cesárias e que passa longe da lista de exemplos de atendimento humanizado.
Pra vencer esse sistema sujo e parir minha filha dignamente, precisaremos ser verdadeiras guerreiras. Não apenas evocar força e resistência para superar a dor do parto, mas eu preciso estar empoderada ao máximo para passar por ele sem sofrer as violências obstétricas tão comuns e mascaradas que tantas mulheres são submetidas e que se quer tiveram noção disso.

Eu comecei a ler sobre basicamente tudo relacionado gravidez desde o dia que eu vi aquelas duas listras rosa. Nunca fui de me basear em achismos, lendas urbanas e historinha de vizinha, então logicamente, não começaria a agir assim agora. E foi impressionante descobrir o quão equivocada eu estava por tantos anos! Quantos mitos derrubados, quantas mentiras e informações manipuladas esclarecidas e, por fim, quantos relatos emocionantes e chocantes.
Eu fazia parte da cultura da cesária mesmo sem nem ter ambição de engravidar, e tudo por isso: falta de conhecimento sobre o assunto.

Não vou dissertar aqui sobre vias de nascimentos, prós e contras de cada um, etc. Deixarei pra um texto futuro. Minha intenção com estes três posts é mostrar (e explicar) meu plano de parto, um recurso tão simples, porém pouco popular entre as gestantes. E considerando a quantidade de comentários de mulheres (mães ou não) que foram/são ludibriadas, ou que estão preocupadas e ansiosas, ou que passaram por uma má experiência na hora de parir, este pode ser um post muito útil para sanar dúvidas, esclarecer o que poderia ter sido feito de diferente (ou recusado) para que a experiência fosse melhor, e apresentar algumas informações até então desconhecidas sobre os procedimentos médicos durante trabalho de parto, a fisiologia do corpo durante o processo e os cuidados com o bebê após o nascimento.

Antes de tudo...

"O plano de parto é uma lista de itens relacionados ao parto, sobre os quais você pensou e refletiu. Isto inclui escolher onde você quer ter seu bebê, quem vai estar presente, quais são os procedimentos médicos que você aceita e quais você prefere evitar.
Nos EUA, onde começou a ser difundido, o plano funciona como uma carta, onde a gestante diz como prefere passar pelas diversas fases do trabalho de parto e como gostaria que seu bebê fosse cuidado após o nascimento.
No entanto, acreditamos que o maior valor do plano de parto é justamente propiciar uma maior reflexão e compreensão sobre o tipo de parto que você prefere. É um exercício que pode ajudá-la a definir aquilo que é importante para você, e com esta informação em mãos, fazer com que esteja mais bem preparada para conversar com seu médico. Não se trata, portanto, de uma lista de ordens, mas de um ponto de partida para a conversa. [x]"



Trabalho de Parto:

- Presença de meu companheiro e minha Doula;

- Não quero receber toques de rotina, e eles só devem ser realizados com o meu consentimento informado;

- Sem soro com ocitocina sintética de rotina;

- Quero usar minhas próprias roupas;

- Quero poder comer alimentos energéticos (Chocolate, barras de cereal...) e beber líquidos. SEM JEJUM;

- Livre movimentação para meu conforto, não quero ficar na cama o trabalho de parto inteiro, somente quando sentir vontade;

- Uso ilimitado do chuveiro, banheira, e outras alternativas (não farmacológicas) naturais de dor (músicas, massagem, meditação, respirações, vocalização, posturas, entre outros...);

- Escutar o bebê no sonar, não cardiotoco continuamente;

- Não desejo uso de medicação para sedação , enjôo ou dor.

- Não desejo analgesia / anestesia de parto. Se eu achar necessário, comunicarei ao meu companheiro. Fora isso, continuarei com os métodos naturais;

- Tentar posições ou movimentos antes de iniciar o uso da ocitocina sintética (SE ASSIM, FOR NECESSÁRIO. Seja qual for a indicação);

- Não quero que rompam minha bolsa;

- Quero poder fotografar e filmar;

- Quero ter a liberdade de ouvir músicas quando sentir vontade, acender ou apagar as luzes, abrir ou fechar as portas e janelas;

- Não quero responder perguntas durante o trabalho de parto;

- Não quero fazer lavagem intestinal;

- Não quero que seja feita a raspagem dos pêlos pubianos no hospital (Tricotomia NÃO.)



Muita gente não sabe - e muitos hospitais ignoram -, mas existe uma lei desde 1990 que obriga os serviços de saúde do SUS, da rede própria ou conveniada a permitir a presença de 1 acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. No meu caso, este acompanhante será o Ian.
Na maternidade de minha escolha (Maria Amélia de Holanda Albuquerque, Centro do Rio), eles permitem também a permanência de uma doula, que para quem desconhece o termo, se trata de uma profissional que dá suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.

"O que a doula faz?
Antes do parto - ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
Durante o parto - a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..
Após o parto - ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê." [x]


Felizmente então eu também terei a companhia dessa fada madrinha gestacional, a querida Mell, no hospital. (Até porque, preciso de alguém com vida no quarto. O Ian provavelmente já vai ter parido o intestino antes deu conseguir parir a Eva, rs).

Seguindo, vem duas práticas de rotina que a grande maioria das mulheres são submetidas nos hospitais. Ambas, quase sempre, são realizadas de maneira mecânica e sem consentimento da gestante - até porque, essa nem deve saber que tal procedimento é dispensável ou não precisa ser feito tão excessivamente. 

O soro de ocitocina artificial é, principalmente, usado para acelerar as contrações. Para o hospital e a equipe que realiza o parto, isso é ótimo, e você até pode pensar que pra você também. "Ué, acelerar as contrações não significa que o trabalho de parto vai ser mais curto?" Não necessariamente.

"O problema quanto à ocitocina sintética é que não há meios precisos para medir seus efeitos no útero e a ação de uma mesma dose da droga varia de uma mulher para outra, o que pode levar a aumento excessivo da frequência das contrações e prejuízos para o bebê. “A indução e o aceleramento artificial das contrações sem uma indicação precisa podem resultar em dificuldades na oxigenação do bebê e dano cerebral no recém-nascido”, diz a ginecologista e obstetra Maria Helena Bastos, consultora nacional em saúde da mulher da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). “Além disso, o uso de ocitocina causa dor e sofrimento desnecessários à mulher" [x]



Vale lembrar que o corpo da mulher produz ocitocina naturalmente, o mesmo hormônio que geralmente está ligado ao prazer (como sexo, beijo, abraço, etc), já o "sorinho"é artificial, fabricado e torna as contrações mais dolorosas,  Então, não, muito obrigada, doutor. Dispenso.
E certamente eu também dispenso os exames de toque compulsivos, por motivos de ser desconfortável, invasivo, pode me deixar mais aflita do que aliviada, aumenta os riscos de infecção, etc. 

Sabe-se que cada mulher tem um ritmo diferente, que cada corpo tem sua forma de trabalhar embora trabalhem para chegar a um mesmo fim. Tem quem fique 4 horas em trabalho de parto, como tem quem fica 40! Não tem regra, padrão, "normal".
Como quase tudo nos procedimentos médicos, o toque acaba gerando uma pressão no psicológico da mulher, e o nervosismo pode acabar bloqueando e prolongando o processo. Angustiada e duvidando de si, a mulher fica mais suscitável a outras intervenções, ou pedir/aceitar uma cesária desnecessária.

"Hoje, diretrizes e protocolos de vários lugares do mundo recomendam: os toques devem ser realizados somente quando necessários e é desejável realizá-los com a menor frequência possível. Nada de toque de hora em hora ou a cada duas horas, de rotina" [x]

Agora pensa comigo: você enfrenta horas (e podem ser muitas horas) de desconforto e precisará de força e energia para tanto esforço físico. E como isso é possível sem se alimentar e se hidratar? Pois é. O pensamento lógico já explica o porquê da ideia do jejum ser tão idiota.
Vale explicar que a recomendação se dá a caso ao risco da mulher aspirar o vômito que poderia ocorrer se ela for anestesiada. No entanto, 1) pra isso, teria que ser anestesia geral, que 2) não acontece no parto normal e 3) é cada vez menos realizado na cesárea.

"De acordo com alguns autores, a chance de uma mulher morrer asfixiada por não ter feito jejum durante o parto é de uma em SETENTA MILHÕES! (...) Pra se ter idéia do quão insignificante é o risco, a chance de morrer em um acidente de automóvel é de 1 em 85. Já a chance de morrer em um acidente de avião é de 1 em 5.862." [x]

Não estou falando que quero bater um pratão de comida durante o trabalho de parto, até porque, é comum a mulher não sentir fome, querer vomitar e evacuar, pois são reflexos naturais do corpo de se "esvaziar" para facilitar o processo. A questão é termos o direito de comer se assim quisermos! Ingerir alimentos energéticos e beber água ajuda no bem estar, que ajuda a evolução do tp.
Alias, quase todos os itens descritos nessa primeira parte foram pensados nisso, na evolução do tp, e nesse evento, a temida dor é inevitável. Assim como o sorinho, outras práticas comuns também não ajudam em nada nesse tópico, enquanto que outras tão simples e naturais (e que sairiam mais barato) podem tornar a coisa bem mais suportável. É o caso das massagens, exercícios na bola suíça, banhos, a climatização do ambiente e a livre movimentação.

Caminhar e rebolar, por exemplo, ajudam bastante a estimular a dilatação e no relaxamento das articulações e da pelve! (não, eles não deixam você deitada da hora que chega até parir porque se comovem com sua dor e cansaço)
Entende-se que o tp é desgastante e a dor incomoda, por isso listei meu desejo em experimentar alternativas não farmacológicas para relaxar. E não tem nada a ver com ser "naturalista", hippie ou nomes do que tipo que algumas pessoas gostam de falar pra zombar. Tudo isso tem embasamento prático e científico. É mais do que comum se ter chuveiro/banheira, bola, corda, entre outros artefatos para o alívio natural, nos quartos hospitalares em países desenvolvidos.
"Exatamente, Ingrid, países desenvolvidos! Aqui não é Holanda". Beleza. Mas você não precisa ficar só dependendo da boa vontade da maternidade. Você mesma pode comprar uma bola, e se não tiver uma doula, pode encontrar na internet técnicas de vocalização, dicas de exercícios, seu acompanhante pode aprender as massagens, etc.. Portanto, sem moleza, meninas. Descansem sim, e se conseguirem, durmam com certeza! mas se estiver com energia e vontade, movimente-se; Ajude seu corpo!

Voltando a questão das intervenções desnecessárias e rotineiras, chegamos a uma das minhas preferidas na lista "gerador de equívocos": a bolsa.
Nesse caso, eu acho que as produções cinematográficas e novelas tem grande parte da culpa, afinal, a cena é clássica: a mulher está lá fazendo alguma coisa e do nada a bolsa estoura, começa uma agitação generalizada, correm com ela para o hospital e dez minutos depois ela aparece com o bebê no colo.

"Quando a bolsa se rompe antes de qualquer outro sinal de trabalho de parto, isso pode ser um sinal de alerta, pelo fato do bebê não ter mais a sua proteção natural contra as bactérias externas. Por isso, a maioria dos obstetras aplicará um antibiótico de maneira profilática a partir de 12h de bolsa rota, para assegurar não ocorra uma infecção, e monitorará de perto a temperatura materna e o bem estar fetal. Com a rotura da bolsa, e a consequente saída do líquido amniótico, cria-se um movimento de vácuo no útero, que puxa a cabeça do bebê para baixo. A cabeça faz um efeito de "rolha" e impede que o líquido saia por completo. No momento em que a bolsa estoura, se o líquido que estiver saindo for abundante, é recomendável sentar-se um pouco para evitar que o cordão saia junto com o movimento do líquido e seja prensado pela cabeça, comprometendo a circulação e causando um sofrimento fetal.
Depois do rompimento da bolsa, o líquido continua sendo produzido normalmente pela placenta, até o nascimento do bebê.
(...) Na grande maioria dos casos, a bolsa amniótica só se rompe depois que a mulher já entrou em trabalho de parto e está sentindo contrações regularmente. A rotura da bolsa pode acontecer a qualquer momento do parto, mas tende a acontecer, naturalmente, quando a mulher já está na fase de transição e começando a sentir os primeiros puxos." [x]


Causar o rompimento da bolsa artificialmente tem tantos riscos que eu não consigo nem entender como um "profissional" expõe o bebê a tal procedimento só pra acelerar o tp - que é o principal motivador para tal prática. Sem uma real necessidade, isso não é só uma violência obstétrica, mas também negligência.
AH! Pode acontecer também de não acontecer, ou seja, o bebê nascer empelicado (dentro da bolsa). É um pouco raro, porém, não é motivo de preocupação. Tudo ocorre normalmente, bastando remover a bolsa depois que o bebê nasce.



Portanto, meninas, só vale "correr" pro hospital se realmente a bolsa estoura antes de qualquer outro

sinal de trabalho de parto.
Caso você esteja em pródromos (contrações irregulares doloridas ou não, dores nas costas, perda do tampão mucoso, etc) e o rompimento aconteça, pode levar ainda algum tempo até o trabalho de parto ativo, e ainda maaaais tempo até a fase de transição, que é quando o colo do útero está dilatando entre 8 e 10 centímetros. Antes disso aí, seu bebê não vai nascer, então tipo, relaxa. Não faz a louca.
Se internar antes de entrar em trabalho de parto ativo (contrações durando cerca de 1 minuto a cada 3 minutos, e o colo do útero está entre 4 e 7 centímetros de dilatação) é pedir pra sofrer intervenções, que é pedir pra ter um parto mais sofrido.
Enfim.

Fechando o quadro dos procedimentos descartáveis desta parte 1, tem alguns itens mais tranquilos, mas que deveriam ser realizados apenas a pedido da gestante: a lavagem intestinal e a raspagem dos pelos pubianos.
Eu escolhi não passar por nenhum dos dois por motivos bem simples: ambos são desconfortáveis e não necessariamente acrescentam algum benefício.
Alias, o único motivador pró que eu encontraria é o "visual". É cultural no Brasil que a mulher mantenha a vagina quase que completamente livre, ou totalmente livre, de pelos. É tipo um sinônimo de higiene por aqui. Não vou debater isso, mas...

"Em relação a outras práticas condenadas pela OMS, a epidemiologista explica, por exemplo, que a raspagem dos pelos faz aumentar o risco de infecção materna, pois o procedimento também retira a camada que protege a pele de bactérias. Já a lavagem intestinal gera risco de contaminação do bebê, devido aos resquícios de água e fezes que podem permanecer no intestino e ser mais facilmente liberados durante o parto por estarem no estado líquido.." [x]

Ou seja. Não vou chegar no hospital com uma moita, até porque como eu já disse, temos uma certa cultura quanto a isso. Como a maioria, eu mantenho uma higienização diária, com cuidados e preferências específicas nessa região, o que torna então esse procedimento desnecessário no ambiente hospitalar. Eu cuido disso em off, muito obrigada.
O mesmo acontece em relação a lavagem. O trabalho de parto não nos impossibilita de evacuar normalmente, muito pelo contrário. E mesmo fazendo isso, o que não falta é história de mamãe que deixou alguma coisa escapar durante o expulsivo. É equinha? É. Tanto que eu sempre brinco falando que talvez meu maior "medo" é  o de fazer cocô quando parir, mas eu entendo que é completamente normal. Frescuras à parte, eu tenho bom senso.

(...)


Previsão para a parte dois: 20/01