quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Meu plano de parto e os porquês - Parte 3

*Essa é a última parte deste post especial. No final do post você encontra o redirecionamento para as partes anteriores.
Não deixe de abrir os links e complementar a leitura*



Ops. Passei longe da data de previsão pra esse post, desculpem-me. Então vamos direto ao assunto.

Cuidados com o bebê:
- Amamentação sob livre demanda, não oferecer agua glicosada, leite materno de banco de leite, formulas ou bicos;
- Alojamento conjunto o tempo todo, sem separação para observação. Caso seja necessária a separação, o pai deverá acompanhá-la o tempo todo.
- Avaliação na presença de um dos pais;
- Não dar banho ou vestir sem me consultar;
- Não passar sonda sem necessidade;
- Não quero que meu bebê seja aspirado. Caso realmente necessário, que seja feito na minha frente;
- Não aplicar Vitamina K, Nitrato de prata ou vacinas sem me consultar;
- Caso seja necessário algum procedimento de urgência, me avisar dos detalhes e porque está sendo feito.

Na parte anterior, eu já comentei sobre a importância da amamentação na primeira hora de vida do bebê e de como isso tem sido uma medida cada vez mais exigida pelos órgãos de saúde. Porém, não basta só a primeira mamada, tem que ser em livre demanda!

"Nas primeiras duas horas de vida existe um estado de alerta, em que o bebé fica desperto, calmo, de olhos abertos, atento aos sons e movimentos sendo o período em que o instinto de mamar é mais forte. Se, pelo contrário, o bebé não for colocado ao peito logo após o nascimento acaba por adormecer, dificultando o estabelecimento com sucesso do aleitamento materno (...) A amamentação sem restrições do número e da quantidade de mamadas deve ser um objectivo desde o início. O bebê deve mamar sempre que quiser, as vezes que quiser, o que contribui para uma melhor produção e descida do leite (...) No primeiro dia a quantidade de colostro que o bebé mama é muito pequena mas tem tudo o que bebé precisa. A amamentação não deve ter restrições, de dia e de noite, já que é um fator importante no estabelecimento do aleitamento materno com sucesso." [x]

A água glicosada e os complementos são procedimentos automáticos nas maternidades. Se não há uma prescrição especifica (ex: casos de hipoglicemia; bebês que estão em tratamento de fototerapia; ou quando a mãe não teve colostro) eles são desnecessários, uma vez que o leite materno supre todas as necessidades e tem mais benefícios para o recém-nascido.

"As mulheres que optam por usar o bico de silicone, devem saber que o uso desses bicos intermediários, feitos de silicone ou outro material (não importa se rígido ou flexível), também pode causar a confusão de bicos, pega incorreta, diminuição na produção de Leite Materno, dificuldades de cicatrização do tecido mamário, entre outras dificuldades na amamentação." [x]
É comum que na primeira dificuldade com o aleitamento, ou no desespero para acalmar a criança, sugiram o uso de bicos, mamadeiras e chupetas, mas estas são facilidades que resolvem um problema criando outros. Em vez de aceitar esses acessórios sem pensar duas vezes, entre em grupos de amamentação e peça ajuda.

"Em nenhum momento é explicado que o bebê que mamar com o bico de silicone será privado do contato pele a pele com mãe, que a pega será errada, que ele irá abocanhar apenas o mamilo e que quando esta mãe tentar retirar o bico, a criança irá chorar, desesperada para mamar naquilo que lhe é confiável e que foi ofertado desde o primeiro contato.
Existem casos em que o bico de silicone pode ser útil, como em casos de mamilo invertido, mas ele deve ser utilizado por tempo determinado" [x]


Desde que eu engravidei eu comecei a questionar as mães que eu conheço se elas ficaram com os bebês após o nascimento ou se eles foram separados e o pobrezinho ficou em observação, isso porque eu tinha aquela imagem clássica de filmes e novelas do berçário e tal na cabeça. Isso nunca fez muito sentido pra mim, e realmente não faz. Novamente: a não ser que exista uma real necessidade, que algo tenha acontecido com a criança para que ela precise ficar em observação, não há nada que impeça que ela fique com a mãe caso esta queira; O bebê pode ser monitorado no colo, e a nota de Apgar pode ser dada sem que ele seja retirado. A correção do corte do cordão (quando necessário), o exame físico completo, identificação e pesagem podem ser feitos depois da primeira mamada tranquilamente, e o recém nascido pode então voltar para a mãe.

"Não é necessário aspirar bebês saudáveis, nem colocar sondas na boca, nariz, ânus e vagina. A maior parte das mal-formações genitais podem ser observadas a olho nu. As atresias de esôfago são tão raras que não se justifica colocar sonda nos esôfagos de todos os bebês, pelo próprio risco do procedimento. Em suma, bebês não precisam de sondas." [x]

Eu faço isso o tempo todo ao longo do texto, desta e das demais partes, mas é importante frisar: todos os procedimentos médicos devem ser questionados. Não fique na ideia de "ah, mas quem vai saber mais que o obstetra/pediatra?! se ele tá fazendo isso, é porque tem algum motivo". Até tem mesmo, mas quem disse que tudo é feito pensando de fato no que é melhor pra você e seu bebê?!
Como vemos, a grande maioria das práticas são puro protocolo, sem avaliação individual. Então queridas, se não existe motivo para que certa coisa seja feita, não deixe ser feita. A gente tem essa mania de pensar que "ah, se não faz mal, que problema tem?" Tem e muito. Afinal, você gosta de sentir dor, de ficar sozinha? Acho que não. Então o que te faz pensar que o seu bebê, em seus primeiros minutos fora do útero, tão frágil e dependente, vai gostar ou suportar bem? A maioria das intervenções seriam dolorosas para nós adultos, imagina então para um recém nascido! Se você pode evitar que ele passe por isso, evite. Tenho certeza que você faria isso por você.
O que nos leva a um dos procedimentos mais escrotos e reproduzidos sem distinção: o colírio de nitrato de prata.

"O colírio serve para tratar de uma possível infecção causada pela transmissão de uma bactéria que causa a conjuntivite gonocócica, que pode, caso não seja diagnosticada ou tratada, levar à cegueira. Ok, concordamos que é um risco real para uma mãe que seja portadora da doença, comumente conhecida como gonorreia, e que, nesses casos, a medicação deve sim ser administrada. Mas algumas questões a serem consideradas: Se durante o pré-natal a mulher faz exames e descarta a existência de contaminação por essa bactéria, por que o remédio deve ser aplicado? Por que os bebês nascidos por via cirúrgica, ou seja, cesariana, também recebem rotineiramente essa aplicação, se não entram em contato com o canal vaginal e por consequência não seriam infectados?
Essas duas perguntas já derrubam toda a credibilidade do procedimento, estipulado segundo protocolos totalmente arbitrários e em desconformidade com a medicina baseada em evidências.
O credé é extremamente incômodo, arde. Causa, na maior parte das vezes, uma reação conhecida como conjuntivite química, gerando dor e estresse" [x]


A vitamina K (injeção) é um caso mais particular, e cada mãe pode se instruir com sua médica durante o pré natal para saber se há uma real indicação para a aplicação no bebê, uma vez que esta "é uma situação clínica delicada e infelizmente cada vez mais comum, devido à extensa medicalização da vida adulta e da gestação. Sabe-se que mulheres que fizeram uso de anticoagulantes, anticonvulsionantes e tubercoloestáticos durante a gestação têm bebês mais suscetíveis à doença. Não há, entretanto, um grupo de risco definido que padronize a aplicação da vitamina, então o protocolo é a aplicação em todos os bebês." ¹
Até então, como eu não me incluo nesses grupos acima, somando a outros fatores (como a amamentação em livre demanda e na primeira hora + o não corte imediato do cordão), não vejo motivo para submeter minha filha a tal injeção; Além do mais, existe a alternativa da aplicação via oral, bem menos desagradável, né!

Junto do nitrato de prata, acho que só a aspiração deve ser tão (ou mais) horrível para um bebê ser submetido logo ao nascer.

"O procedimento de aspiração rotineira para remover secreções das vias orais e nasais do RN tem uma utilidade um tanto duvidosa. Segundo os pediatras que o fazem os possíveis benefícios são a melhora da troca gasosa e redução da possibilidade de aspirar secreções. O que eles não contam é que os potenciais riscos da pratica incluem arritmias cardíacas, laringoespasmo (oclusão da glote devido a contraçäo dos músculos da laringe), e vasoespasmo da artéria pulmonar. A grande maioria dos bebês nascem bem e não precisam ser aspirados. Eles são perfeitamente capazes de limpar suas próprias vias áereas (tossindo, espirrando). Além disso, os bebês que nascem por parto vaginal, ao passar pelo canal de parto, os pulmões do bebê são massageados, provocando a expulsão natural dos líquidos. A aspiração, tanto a orotraqueal (pela boca) quanto a nasotraqueal (pelo nariz) causam muito desconforto para o bebê, basta que você imagine um cateter (sonda) sendo enfiado no seu nariz e indo até a sua traqueia, "aspirando" tudo que tiver lá e depois sendo puxado para fora novamente. Agora, imagine passar por esse procedimento no seu primeiro minuto de vida, após sair de um ambiente quentinho, escuro, protegido. Sem dúvida não é uma boa maneira de se chegar ao mundo né?" [x]

Fechando essa sessão, vem uma questão menos traumatizante, mas que também vale abrir parênteses: o banho.
Acredito que o reflexo da maioria é não ser contra esse procedimento, pois na nossa cultura, o banho é sinônimo de higiene, e portanto benéfico, ainda mais considerando que o bebê nasce todo melecadinho e "sujinho", etc. Né?! Engano seu e o motivo é simples: vérnix.

"Ele tem como função fazer uma barreira na pele e evitar a perda de água, atuando como grande agente de hidratação. A barreira mecânica feita por esse creme ultra-hidratante é importante para as primeiras necessidades da pele do bebê, como por exemplo, a manutenção da sua temperatura e proteção contra infecções bacterianas. Ele ajuda também na formação do manto ácido, responsável por evitar o o crescimento de bactérias patogênicas. Ao nascimento, o pH da superfície da pele é praticamente neutro (6.5), e se torna mais ácido com o tempo para aumentar a capacidade de defesa da pele.
A Organização Mundial de Saúde em suas diretrizes para os cuidados com o bebê indica que o primeiro banho não deve ser dado antes das primeiras seis horas de vida. Muitos hospitais com práticas humanistas na Europa deixam e orientam que os pais deem o primeiro banho apenas no dia seguinte ao nascimento e muitos neonatologistas declaram que quanto mais tarde, melhor, assegurando que não há nenhum mal ou risco nisso e que os resíduos de parto não são sujeira, portanto estão longe de provocar qualquer contaminação. Novas pesquisas indicam que o vérnix possui propriedades imunológicas; deixá-lo mais tempo sobre a pele do bebê é o mesmo que deixar por mais tempo uma importante camada de proteção, fazendo com que seu sistema imunológico se fortaleça." [x]


Ou seja, 1) seu bebê não está sujo e 2) o vérnix é muito melhor para o seu filho/a do que um banho logo de cara. Lembre-se também que:
"Logo após o nascimento, os recém nascidos precisam descobrir como manter sua própria temperatura corporal e o banho – mesmo que quentinho – pode causar uma queda nessa temperatura. Bebês precisam manter-se aquecidos assim que nascem e o peito da mãe é o lugar ideal (e perfeito!) para isso. Não há berço aquecido nem nada que possa competir com o colo de mãe, definitivamente;Ser separado de sua mãe assim que nasce pode ser bem desconfortável para o recém nascido, que normalmente chora e fica mais agitado. Isso faz com que seu corpo libere hormônios ligados ao stress, pode causar um aumento na freqüência cardíaca e na pressão arterial, além de reduzir temporariamente os níveis de açúcar no sangue. Quando o bebê é mantido perto de sua mãe, ele tem uma capacidade maior de regular seus sistemas e manter tudo como deveria estar." [x]

E mesmo depois das seis horas indicadas pela OMS, não é preciso dar aqueeeeele banho exagerado na criança. Riscada a absorção do vérnix, temos que nos atentar ao cuidado com o umbigo. O ideal seria optar por limpar o bebê com algodão ou toalhas macias úmidas (secando-o bem logo em seguida) até o umbigo cair naturalmente, para só então rolar aquele banho caprichado. Mas eu sei que nesse calor do Brasil isso fica mais complicado... Enfim. Só não esqueçam de manter a área bem sequinha, beleza?!

Caso a Cesárea SEJA NECESSÁRIA OU DE URGÊNCIA:
- Gostaria da presença de meu marido e Doula antes da anestesia;
- Quero filmar;
- Anestesia Peridural, sem sedação;
- Não quero meus braços presos. Caso seja necessário prender, quero que solte quando o bebê nascer para poder segurá-la.
- Após o nascimento gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito imediatamente, sem separação.
- Amamentação imediatamente;

Por cesárea necessária/de urgência, entende-se prolapso no cordão, descolamento prematuro da placenta, placenta prévia, situação do bebe em posição transversa durante o TP, ruptura de vasa prévia, distócia de parto, sofrimento fetal, ou seja, motivos clínicos reais e não mitos obstétricos como circular de cordão ou 'falta de passagem'. Mas eu tenho fé de que esta última sequência de itens será um parágrafo desnecessário como a grande maioria dos procedimentos que comentei nestes posts, rsrs. ;)

Leia:

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Meu plano de parto e os porquês - Parte 2

*Como o assunto é extenso, vou dividi-lo em 3 posts. Essa é a parte 2. Não deixe de abrir os links e complementar a leitura*

No post anterior eu comecei comentando alguns itens referentes ao trabalho de parto.
Queria dizer que fiquei contente com a recepção do post aqui e no facebook e espero que continue assim. Aos que não concordarem com alguma coisa, sintam-se livres para dar suas opiniões (com argumentos válidos, de preferência) e eu os responderei assim que possível.
Continuemos...


Expulsivo:
- Prefiro que o bebê nasça no quarto, não numa sala cirúrgica;
- Quero parir na posição que mais me agradar ou der vontade na hora do expulsivo, NÃO quero posição de litotomia (posição ginecológica) e nem pernas amarradas;
- Quero fazer força somente quando sentir vontade, não quero ser guiada ou pressionada;
- Prefiro luz baixa e ambiente calmo;
- Não quero episiotomia;
- Não quero manobras para a saída do bebê (kristeller e outras);
- Quero meu bebê imediatamente no meu colo após o nascimento;
- Quero amamentá-la logo em seguida;

Obs: expulsivo é o período do parto em que o bebê efetivamente nasce. (leia sobre essa fase aqui)

A este ponto a mulher está super exausta e louca pra acabar logo com tudo isso, ao mesmo tempo que possivelmente preocupada com o bem estar do bebê caso o trabalho de parto tenha levado muitas horas. Sem falar da equipe que certamente está ainda mais impaciente.
Se eles já se meteram antes com maneiras de acelerar a dilatação, é claro que vão se meter agora também pra acelerar a passagem do pequeno pra esse mundo; só é irônico que eles mesmo se atrapalham quando já começam errando no mais básico da coisa, a posição da mulher. 


 "A posição de litotomia é a posição menos recomendada para o parto, porém é a mais comum. Nessa posição, a mulher fica deitada de barriga para cima e coloca as pernas para cima (em estribos ou segurando as pernas) na hora de fazer força. É a posição mais comum porque é a que permite a melhor visualização da área pelo médico e uma maior área de manobra (...) Essa posição não favorece o trabalho de parto, pois o  peso do bebê fica apoiado nas costas da mulher, comprimindo seus vasos sanguíneos, ao invés de pressionar o colo do útero para favorecer a dilatação. Essa posição obriga a mulher a parir seu filho para cima, contra a gravidade, o que exige que faça mais força e, por estar puxando as pernas para cima, seu períneo fica mais esticado, aumentando as chances de laceração. Além disso, nessa posição, o cóccix da mulher fica apoiado na cama, o que atrapalha a correta dilatação dos ossos da pelve." [x]

Dar autonomia para a mulher ter livre movimentação e experimentar outras posições, mesmo que no final ela acabe nessa mesmo, é fundamental para o avanço dessa fase. Eu ainda não sei em qual posição eu vou estar quando tudo terminar, mas com certeza vou ser esperta e usar a gravidade ao meu favor e ficar em vertical em algum momento na hora de fazer força.
O que nos leva a outro item...


"Os puxos são aquela vontade natural de começar a fazer força quando o trabalho de parto chega no período expulsivo, ou seja, a dilatação está completa e o bebê está pronto para sair. É um processo completamente natural e independe da vontade da mulher, isto é, mesmo que queira, uma mulher não consegue fisicamente impedir que seu bebê nasça (...) Instigar a mulher a fazer força antes da hora é, além de inútil, doloroso, prejudicial e cansativo. A parturiente precisa concentrar suas energias e deve ser deixada à vontade para fazer força quando e se sentir necessidade. Puxos precoces e/ou dirigidos aumentam o risco de laceração (machucado no períneo), fazem com que a capacidade de oxigenação da mulher e, por consequência, do bebê, diminua, o que pode ser arriscado, causar tonturas e mal estar." [x] 


Vai! Agora, empurra! Força - outra cena clássica e dispensável de filmes e novelas.
Ou seja, se você sabe o que acontece com o seu corpo nessa fase do trabalho de parto, então vai entender que a vontade de empurrar acontece naturalmente. Não é preciso ter alguém conduzindo! Fazer isso está relacionado com uma insignificante diferença na duração do trabalho de parto¹, e simplesmente não vale a pena correr riscos mais expressivos pra diminuir o processo em 5, 10, 15 minutos.
O puxo guiado te faz gastar mais energia, na hora errada e consequentemente passar a impressão de que seu tp foi mais sofrido (e foi mesmo, só que por um erro do profissional envolvido).


E nessa linha de procedimentos que eles defendem como uma forma de ajudar o bebê a sair, tem duas intervenções que eu particularmente considero as piores: episiotomia e a manobra de kristeller. 

"Praticada em cerca de 80% dos partos, quando o ideal seria em 20%, a incisão está na mira das autoridades de saúde desde que a Medicina Baseada em Evidências provou que, na maioria dos casos, não protege nem a mãe nem o bebê. Ao contrário, seria responsável por um número maior de infecções pós-operatórias, hemorragias e até rebaixamento da bexiga. 
Esse último seria um dos fatores que levam à incontinência urinária na maturidade e ocorre porque o obstetra dificilmente consegue recompor a região pélvica como antes" [x]

A Organização Mundial da Saúde indica recorrer a episiotomia em casos de sofrimento fetal, progressão insuficiente do parto e iminência de laceração de 3° grau, no entanto, médicos realizam o corte quase que mecanicamente e sem o consentimento da gestante, e por ser uma prática tão rotineira - somado a falta de informação da grande maioria das mulheres -,
 muitas acreditam até que se trata de um procedimento "normal" e necessário, mas não, não é. Normal são as lacerações que podem ocorrer naturalmente no períneo, sendo que estas curam muito mais rápido por serem mais superficiais e podem ser evitadas ou amenizadas com exercícios e massagens na área durante a gestação.
Sobre a manobra de Kristeller, uma intervenção tão absurda que, mesmo felizmente sendo banida em alguns hospitais no país, ainda dá pra encontrar sendo feita por aí. 
Pra quem não tá assimilando termo ao ato, consiste na aplicação de pressão com as mãos/braços no fundo do útero, sobre a parede abdominal. Tenho certeza que você já ouviu alguém contando uma história de que o médico ou a enfermeira "subiu" em cima da mulher e apertou a barriga pra empurrar o bebê. Então, é isso.

"
A manobra de kristeller é reconhecidamente danosa à saúde e, ao mesmo tempo, ineficaz, causando à parturiente o desconforto da dor provocada e também o trauma que se seguirá indefinidamente 
Essa manobra é proibida em alguns países e não é recomendada pela OMS, pois além de ser uma violência com mãe e bebê, pode prejudicar o assoalho pélvico, o períneo, causar inversão uterina, ruptura uterina, e uma série e complicações no parto e pós-parto, podendo inclusive causar a morte materna ou fetal.  NÃO É INDICADA em caso algum! " [x]
Bom, ok. Pari, bebê nasceu, dor parou, que coisa linda, uhul! Tem mais? TEM.
Agora é preciso correr atrás do respeito e singularidade para o bebê, pois como se já não bastasse a robotização nos procedimentos sofridos durante o trabalho de parto, a gente também encontra este problema aqui, nos primeiros minutos e horas de vida do seu projeto de gente. E porque não começar pela recepção, nos primeiros segundos?
Pode parecer insignificante, mas faz sim diferença para o seu filho/a o ambiente em que ele chega; Lembre-se que o bebê ficou nove meses aconchegado num espaço calmo e quentinho! Imagina você despertar num mundo barulhento, agitado, com uma luz cegante e num cômodo refrigerado a menos de dezoito graus quando você está acostumado a trinta e seis? Não custa um pouco de sensibilidade, né!?
No entanto, nada é mais importante nos primeiros minutos de vida da criança (e para a parturiente também) do que nascer e ir direto para o colo da mãe. Sabe-se hoje que esse momento é tão significante que até o Ministério da Saúde determinou essa medida por aqui ano passado.
O contato pele-a-pele do recém nascido com a mãe tem vários benefícios físico e psicológicos para ambos, bem como a amamentação na primeira hora de vida. A mulher recebe um coquetel de hormônios nesse momento (responsável pelo processo de vínculo), e o aleitamento faz com que o útero se contraia, ajudando na expulsão natural da placenta.

 "Esse primeiro leite, mais rico em anticorpos, é praticamente uma vacina contra micro-organismos que podem atacar o bebê. (...) Temos estudos que já mostram muitos benefícios relacionados a esse contato inicial entre mãe e filho, como reduzir o risco de infecções e também de melhora da autoestima da mulher." [x]

"Amamentar os bebês imediatamente após o nascimento pode reduzir consideravelmente a mortalidade neonatal (a que acontece até o 28º dia de vida) nos países em desenvolvimento. Um estudo indica que é possível evitar 16% das mortes neonatais por meio da amamentação desde o primeiro dia de vida da criança, taxa que pode aumentar para 22% se o aleitamento materno começar na primeira hora depois do parto. " [x]

Após o Parto:
- Quero a expulsão espontânea da placenta;
- Bebê comigo o tempo todo, mesmo para avaliação ou exames, caso seja necessário levá-la, o pai irá junto;
- Aceito injeção de ocitocina para evitar hemorragia;
- Se houver laceração natural, quero anestesia local, sutura endodérmica;
- O pai cortará o cordão umbilical após este parar de pulsar, se ele não desejar, eu mesma quero fazê-lo.

Concluo essa parte com pedidos simples, mas que vale a pena ressaltar porque são costumeiramente desrespeitados em alguns hospitais, especialmente se a mulher não se impor.
Todos os exames realizados quando o bebê nasce podem ser feitos com ele no colo da mãe, e alguns se quer precisam ser executados assim tão imediatamente. Desta forma também fica mais fácil de analisar o que está sendo feito com o bebê, e especialmente, como está sendo feito. (Falo isso porque se você pegar alguns vídeos pra ver, salve exceções, possivelmente vai se assustar com a forma quase que agressiva que pegam e conduzem os procedimento avaliativos com o neném.)

Sobre o cordão umbilical, é comum que se clampeie/corte logo quando o bebê nasce, porém...

"Se o corte é feito logo que o bebê sai, claro que ele vai dar aquele choro forte na hora, pois ele é obrigado a expandir os pulmões se não ele fica sem oxigênio! Além de também ficar sem o aporte sanguíneo que ele naturalmente deveria receber, que fica preso na placenta. Um desperdício! O bebê ganha cerca de 100 ml a mais de sangue pelo cordão umbilical até o 3o minuto de vida, o que é um volume considerável para um bebê. E esse aporte sanguíneo previne anemia no primeiro ano de vida. Há evidências suficientes para que aconteça a mudança na prática. Uma das recomendações da Organização Mundial de Saúde é o corte tardio do cordão umbilical." [x]


Com mais essa, eu me pergunto - embora já saiba a resposta: " Pra quê a pressa, doutor?" 

Obs: Não escrevi ali no plano de parto porque ainda estou realizando pesquisas de como proceder sobre isso, mas meu desejo é doar a placenta/cordão umbilical. Se devidamente preservado, ele pode ajudar na cura de pacientes com doenças hematológicas (bem como utilizado em pesquisas com células-tronco), e como o cordão é descartado na sala de parto, seria um super desperdício.

(...)

Previsão para a última parte: 25/01

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Meu plano de parto e os porquês - Parte 1


*Como o assunto é extenso, vou dividi-lo em 3 posts. Essa é a parte 1. As demais serão publicadas ao longo das duas próximas semanas. Não deixe de abrir os links e complementar a leitura*



Cheguei a marca (melhoro dizendo, média) de trinta e três semanas de gestação. Eva já deve estar pesando uns 2 kilos, e seus sistemas estão cada vez mais maduros. Em pouco tempo ela trocará o calor do útero pelo calor dos braços daqueles que já amam, e para alcançarmos a linha de chegada com sucesso e eficiência, e principalmente, sem sermos trapaceados, é preciso muita preparação.
Traduzindo a analogia: Eu quero parto normal. Eu quero um parto normal no país recordista de cesárias e que passa longe da lista de exemplos de atendimento humanizado.
Pra vencer esse sistema sujo e parir minha filha dignamente, precisaremos ser verdadeiras guerreiras. Não apenas evocar força e resistência para superar a dor do parto, mas eu preciso estar empoderada ao máximo para passar por ele sem sofrer as violências obstétricas tão comuns e mascaradas que tantas mulheres são submetidas e que se quer tiveram noção disso.

Eu comecei a ler sobre basicamente tudo relacionado gravidez desde o dia que eu vi aquelas duas listras rosa. Nunca fui de me basear em achismos, lendas urbanas e historinha de vizinha, então logicamente, não começaria a agir assim agora. E foi impressionante descobrir o quão equivocada eu estava por tantos anos! Quantos mitos derrubados, quantas mentiras e informações manipuladas esclarecidas e, por fim, quantos relatos emocionantes e chocantes.
Eu fazia parte da cultura da cesária mesmo sem nem ter ambição de engravidar, e tudo por isso: falta de conhecimento sobre o assunto.

Não vou dissertar aqui sobre vias de nascimentos, prós e contras de cada um, etc. Deixarei pra um texto futuro. Minha intenção com estes três posts é mostrar (e explicar) meu plano de parto, um recurso tão simples, porém pouco popular entre as gestantes. E considerando a quantidade de comentários de mulheres (mães ou não) que foram/são ludibriadas, ou que estão preocupadas e ansiosas, ou que passaram por uma má experiência na hora de parir, este pode ser um post muito útil para sanar dúvidas, esclarecer o que poderia ter sido feito de diferente (ou recusado) para que a experiência fosse melhor, e apresentar algumas informações até então desconhecidas sobre os procedimentos médicos durante trabalho de parto, a fisiologia do corpo durante o processo e os cuidados com o bebê após o nascimento.

Antes de tudo...

"O plano de parto é uma lista de itens relacionados ao parto, sobre os quais você pensou e refletiu. Isto inclui escolher onde você quer ter seu bebê, quem vai estar presente, quais são os procedimentos médicos que você aceita e quais você prefere evitar.
Nos EUA, onde começou a ser difundido, o plano funciona como uma carta, onde a gestante diz como prefere passar pelas diversas fases do trabalho de parto e como gostaria que seu bebê fosse cuidado após o nascimento.
No entanto, acreditamos que o maior valor do plano de parto é justamente propiciar uma maior reflexão e compreensão sobre o tipo de parto que você prefere. É um exercício que pode ajudá-la a definir aquilo que é importante para você, e com esta informação em mãos, fazer com que esteja mais bem preparada para conversar com seu médico. Não se trata, portanto, de uma lista de ordens, mas de um ponto de partida para a conversa. [x]"



Trabalho de Parto:

- Presença de meu companheiro e minha Doula;

- Não quero receber toques de rotina, e eles só devem ser realizados com o meu consentimento informado;

- Sem soro com ocitocina sintética de rotina;

- Quero usar minhas próprias roupas;

- Quero poder comer alimentos energéticos (Chocolate, barras de cereal...) e beber líquidos. SEM JEJUM;

- Livre movimentação para meu conforto, não quero ficar na cama o trabalho de parto inteiro, somente quando sentir vontade;

- Uso ilimitado do chuveiro, banheira, e outras alternativas (não farmacológicas) naturais de dor (músicas, massagem, meditação, respirações, vocalização, posturas, entre outros...);

- Escutar o bebê no sonar, não cardiotoco continuamente;

- Não desejo uso de medicação para sedação , enjôo ou dor.

- Não desejo analgesia / anestesia de parto. Se eu achar necessário, comunicarei ao meu companheiro. Fora isso, continuarei com os métodos naturais;

- Tentar posições ou movimentos antes de iniciar o uso da ocitocina sintética (SE ASSIM, FOR NECESSÁRIO. Seja qual for a indicação);

- Não quero que rompam minha bolsa;

- Quero poder fotografar e filmar;

- Quero ter a liberdade de ouvir músicas quando sentir vontade, acender ou apagar as luzes, abrir ou fechar as portas e janelas;

- Não quero responder perguntas durante o trabalho de parto;

- Não quero fazer lavagem intestinal;

- Não quero que seja feita a raspagem dos pêlos pubianos no hospital (Tricotomia NÃO.)



Muita gente não sabe - e muitos hospitais ignoram -, mas existe uma lei desde 1990 que obriga os serviços de saúde do SUS, da rede própria ou conveniada a permitir a presença de 1 acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. No meu caso, este acompanhante será o Ian.
Na maternidade de minha escolha (Maria Amélia de Holanda Albuquerque, Centro do Rio), eles permitem também a permanência de uma doula, que para quem desconhece o termo, se trata de uma profissional que dá suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.

"O que a doula faz?
Antes do parto - ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
Durante o parto - a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..
Após o parto - ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê." [x]


Felizmente então eu também terei a companhia dessa fada madrinha gestacional, a querida Mell, no hospital. (Até porque, preciso de alguém com vida no quarto. O Ian provavelmente já vai ter parido o intestino antes deu conseguir parir a Eva, rs).

Seguindo, vem duas práticas de rotina que a grande maioria das mulheres são submetidas nos hospitais. Ambas, quase sempre, são realizadas de maneira mecânica e sem consentimento da gestante - até porque, essa nem deve saber que tal procedimento é dispensável ou não precisa ser feito tão excessivamente. 

O soro de ocitocina artificial é, principalmente, usado para acelerar as contrações. Para o hospital e a equipe que realiza o parto, isso é ótimo, e você até pode pensar que pra você também. "Ué, acelerar as contrações não significa que o trabalho de parto vai ser mais curto?" Não necessariamente.

"O problema quanto à ocitocina sintética é que não há meios precisos para medir seus efeitos no útero e a ação de uma mesma dose da droga varia de uma mulher para outra, o que pode levar a aumento excessivo da frequência das contrações e prejuízos para o bebê. “A indução e o aceleramento artificial das contrações sem uma indicação precisa podem resultar em dificuldades na oxigenação do bebê e dano cerebral no recém-nascido”, diz a ginecologista e obstetra Maria Helena Bastos, consultora nacional em saúde da mulher da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). “Além disso, o uso de ocitocina causa dor e sofrimento desnecessários à mulher" [x]



Vale lembrar que o corpo da mulher produz ocitocina naturalmente, o mesmo hormônio que geralmente está ligado ao prazer (como sexo, beijo, abraço, etc), já o "sorinho"é artificial, fabricado e torna as contrações mais dolorosas,  Então, não, muito obrigada, doutor. Dispenso.
E certamente eu também dispenso os exames de toque compulsivos, por motivos de ser desconfortável, invasivo, pode me deixar mais aflita do que aliviada, aumenta os riscos de infecção, etc. 

Sabe-se que cada mulher tem um ritmo diferente, que cada corpo tem sua forma de trabalhar embora trabalhem para chegar a um mesmo fim. Tem quem fique 4 horas em trabalho de parto, como tem quem fica 40! Não tem regra, padrão, "normal".
Como quase tudo nos procedimentos médicos, o toque acaba gerando uma pressão no psicológico da mulher, e o nervosismo pode acabar bloqueando e prolongando o processo. Angustiada e duvidando de si, a mulher fica mais suscitável a outras intervenções, ou pedir/aceitar uma cesária desnecessária.

"Hoje, diretrizes e protocolos de vários lugares do mundo recomendam: os toques devem ser realizados somente quando necessários e é desejável realizá-los com a menor frequência possível. Nada de toque de hora em hora ou a cada duas horas, de rotina" [x]

Agora pensa comigo: você enfrenta horas (e podem ser muitas horas) de desconforto e precisará de força e energia para tanto esforço físico. E como isso é possível sem se alimentar e se hidratar? Pois é. O pensamento lógico já explica o porquê da ideia do jejum ser tão idiota.
Vale explicar que a recomendação se dá a caso ao risco da mulher aspirar o vômito que poderia ocorrer se ela for anestesiada. No entanto, 1) pra isso, teria que ser anestesia geral, que 2) não acontece no parto normal e 3) é cada vez menos realizado na cesárea.

"De acordo com alguns autores, a chance de uma mulher morrer asfixiada por não ter feito jejum durante o parto é de uma em SETENTA MILHÕES! (...) Pra se ter idéia do quão insignificante é o risco, a chance de morrer em um acidente de automóvel é de 1 em 85. Já a chance de morrer em um acidente de avião é de 1 em 5.862." [x]

Não estou falando que quero bater um pratão de comida durante o trabalho de parto, até porque, é comum a mulher não sentir fome, querer vomitar e evacuar, pois são reflexos naturais do corpo de se "esvaziar" para facilitar o processo. A questão é termos o direito de comer se assim quisermos! Ingerir alimentos energéticos e beber água ajuda no bem estar, que ajuda a evolução do tp.
Alias, quase todos os itens descritos nessa primeira parte foram pensados nisso, na evolução do tp, e nesse evento, a temida dor é inevitável. Assim como o sorinho, outras práticas comuns também não ajudam em nada nesse tópico, enquanto que outras tão simples e naturais (e que sairiam mais barato) podem tornar a coisa bem mais suportável. É o caso das massagens, exercícios na bola suíça, banhos, a climatização do ambiente e a livre movimentação.

Caminhar e rebolar, por exemplo, ajudam bastante a estimular a dilatação e no relaxamento das articulações e da pelve! (não, eles não deixam você deitada da hora que chega até parir porque se comovem com sua dor e cansaço)
Entende-se que o tp é desgastante e a dor incomoda, por isso listei meu desejo em experimentar alternativas não farmacológicas para relaxar. E não tem nada a ver com ser "naturalista", hippie ou nomes do que tipo que algumas pessoas gostam de falar pra zombar. Tudo isso tem embasamento prático e científico. É mais do que comum se ter chuveiro/banheira, bola, corda, entre outros artefatos para o alívio natural, nos quartos hospitalares em países desenvolvidos.
"Exatamente, Ingrid, países desenvolvidos! Aqui não é Holanda". Beleza. Mas você não precisa ficar só dependendo da boa vontade da maternidade. Você mesma pode comprar uma bola, e se não tiver uma doula, pode encontrar na internet técnicas de vocalização, dicas de exercícios, seu acompanhante pode aprender as massagens, etc.. Portanto, sem moleza, meninas. Descansem sim, e se conseguirem, durmam com certeza! mas se estiver com energia e vontade, movimente-se; Ajude seu corpo!

Voltando a questão das intervenções desnecessárias e rotineiras, chegamos a uma das minhas preferidas na lista "gerador de equívocos": a bolsa.
Nesse caso, eu acho que as produções cinematográficas e novelas tem grande parte da culpa, afinal, a cena é clássica: a mulher está lá fazendo alguma coisa e do nada a bolsa estoura, começa uma agitação generalizada, correm com ela para o hospital e dez minutos depois ela aparece com o bebê no colo.

"Quando a bolsa se rompe antes de qualquer outro sinal de trabalho de parto, isso pode ser um sinal de alerta, pelo fato do bebê não ter mais a sua proteção natural contra as bactérias externas. Por isso, a maioria dos obstetras aplicará um antibiótico de maneira profilática a partir de 12h de bolsa rota, para assegurar não ocorra uma infecção, e monitorará de perto a temperatura materna e o bem estar fetal. Com a rotura da bolsa, e a consequente saída do líquido amniótico, cria-se um movimento de vácuo no útero, que puxa a cabeça do bebê para baixo. A cabeça faz um efeito de "rolha" e impede que o líquido saia por completo. No momento em que a bolsa estoura, se o líquido que estiver saindo for abundante, é recomendável sentar-se um pouco para evitar que o cordão saia junto com o movimento do líquido e seja prensado pela cabeça, comprometendo a circulação e causando um sofrimento fetal.
Depois do rompimento da bolsa, o líquido continua sendo produzido normalmente pela placenta, até o nascimento do bebê.
(...) Na grande maioria dos casos, a bolsa amniótica só se rompe depois que a mulher já entrou em trabalho de parto e está sentindo contrações regularmente. A rotura da bolsa pode acontecer a qualquer momento do parto, mas tende a acontecer, naturalmente, quando a mulher já está na fase de transição e começando a sentir os primeiros puxos." [x]


Causar o rompimento da bolsa artificialmente tem tantos riscos que eu não consigo nem entender como um "profissional" expõe o bebê a tal procedimento só pra acelerar o tp - que é o principal motivador para tal prática. Sem uma real necessidade, isso não é só uma violência obstétrica, mas também negligência.
AH! Pode acontecer também de não acontecer, ou seja, o bebê nascer empelicado (dentro da bolsa). É um pouco raro, porém, não é motivo de preocupação. Tudo ocorre normalmente, bastando remover a bolsa depois que o bebê nasce.



Portanto, meninas, só vale "correr" pro hospital se realmente a bolsa estoura antes de qualquer outro

sinal de trabalho de parto.
Caso você esteja em pródromos (contrações irregulares doloridas ou não, dores nas costas, perda do tampão mucoso, etc) e o rompimento aconteça, pode levar ainda algum tempo até o trabalho de parto ativo, e ainda maaaais tempo até a fase de transição, que é quando o colo do útero está dilatando entre 8 e 10 centímetros. Antes disso aí, seu bebê não vai nascer, então tipo, relaxa. Não faz a louca.
Se internar antes de entrar em trabalho de parto ativo (contrações durando cerca de 1 minuto a cada 3 minutos, e o colo do útero está entre 4 e 7 centímetros de dilatação) é pedir pra sofrer intervenções, que é pedir pra ter um parto mais sofrido.
Enfim.

Fechando o quadro dos procedimentos descartáveis desta parte 1, tem alguns itens mais tranquilos, mas que deveriam ser realizados apenas a pedido da gestante: a lavagem intestinal e a raspagem dos pelos pubianos.
Eu escolhi não passar por nenhum dos dois por motivos bem simples: ambos são desconfortáveis e não necessariamente acrescentam algum benefício.
Alias, o único motivador pró que eu encontraria é o "visual". É cultural no Brasil que a mulher mantenha a vagina quase que completamente livre, ou totalmente livre, de pelos. É tipo um sinônimo de higiene por aqui. Não vou debater isso, mas...

"Em relação a outras práticas condenadas pela OMS, a epidemiologista explica, por exemplo, que a raspagem dos pelos faz aumentar o risco de infecção materna, pois o procedimento também retira a camada que protege a pele de bactérias. Já a lavagem intestinal gera risco de contaminação do bebê, devido aos resquícios de água e fezes que podem permanecer no intestino e ser mais facilmente liberados durante o parto por estarem no estado líquido.." [x]

Ou seja. Não vou chegar no hospital com uma moita, até porque como eu já disse, temos uma certa cultura quanto a isso. Como a maioria, eu mantenho uma higienização diária, com cuidados e preferências específicas nessa região, o que torna então esse procedimento desnecessário no ambiente hospitalar. Eu cuido disso em off, muito obrigada.
O mesmo acontece em relação a lavagem. O trabalho de parto não nos impossibilita de evacuar normalmente, muito pelo contrário. E mesmo fazendo isso, o que não falta é história de mamãe que deixou alguma coisa escapar durante o expulsivo. É equinha? É. Tanto que eu sempre brinco falando que talvez meu maior "medo" é  o de fazer cocô quando parir, mas eu entendo que é completamente normal. Frescuras à parte, eu tenho bom senso.

(...)


Previsão para a parte dois: 20/01

domingo, 7 de dezembro de 2014

Chá de Fralda - A experiência


Já comentei aqui antes e quem me conhece sabe; Eu não lido bem com convenções sociais. Sabe como é, essa mania de fugir do tradicional? Pois então. Se já é complicado na rotina comum, imagina na maternidade? 
E aí você tem eu, Ingrid, a mais sem graça pra receber parabéns, presentes e elogios, de tirar foto em festa, que nunca participou dignamente de um chá de bebê e que acha quase tudo de chá de bebê brega e chato, tentando contornar tudo isso pra fazer seu próprio. Bem tenso!

Vale ressaltar que minha percepção de 'brega' é geralmente bem diferente das outras pessoas (novidade?!). Pra resumir, é só tentar inverter. O que a maioria acha cafona, eu gosto ou consigo ver alguma graça. Então, por exemplo, chá de bebê todo rosa (no caso de menina) ou todo azul (no caso de menino), super infantilizado, com painel atrás mesa, com a decoração extremamente combinada, adesivar as lembranças (e a lembrancinha em si) com o nome/data atrás e todo o tipo de coisa extremamente comum em festas do tipo - especialmente no Brasil -, nada disso me atrai. Acho tudo muito igual a tudo, sem expressão, sem vida... 
Enfim.
Na falta de experiência e tesão, abusei do google imagens pra buscar inspiração. Cogitei fazer com o tema "Las Vegas", mas resolvi me apropriar do conceito de "chá" que o nome do evento leva e caí no meio de uma imensidade de fotos de decorações lindíssimas de "Tea Parties", bem mais de acordo com a vibe que eu estou há um algum tempo. 

Simples, aconchegante, colorido, despojadamente planejado, alegre, geralmente realizados ao ar livre ou em ambientes com uma ornamentação que suavizava o espaço e sem aquela cara de festa de aniversário, isso ficaria muito mais harmonizado com o conceito e de se realizar no final da tarde como eu queria. Trocando o chá por café (questão de preferência/cultural e pá), foi exatamente este o ponto de partida pra pensar a coisa toda: jogos de xícaras.

E foi um jogo de xícaras que despretenciosamente deu o tom do meu chá de fralda*. O conjunto verde de bolinhas (foto) emprestado que eu fiquei extremamente apaixonada foi a primeira coisa definida, seguido do suporte de três andares lilás também de bolinhas que eu comprei a priore para os cupcakes,
Comecei então a guiar minhas ideias para a decoração pelas cores, e não necessariamente por um tema ou algo do tipo. 

A terceira cor - vermelho - se deu por causa da maçã, uma brincadeira com o nome da Eva (pensem),
e que também virou inspiração para o que seria a pseudo-lembrancinha do chá, já que eu não queria nada muito óbvio, com cara de presente de festa escolar ou que o convidado enfiasse numa gaveta ou jogasse fora.

Quando percebi o esquema de cores que resultou (verde - lilás - vermelho; branco dando aqueles arremates), fiquei super satisfeita. Era diferente, vibrante, casava bacana com a ideia de uma mesa de café da tarde, contrastava com a varanda da casa dos meus avós que foi aonde eu realizei o evento, etc.

E por falar em café da tarde, é claro que no que diz respeito aos comes e bebes, eu investi numa mesa de opções leves e menos convencionais se pensarmos no que geralmente é servido em festas.
Reduzi os salgadinhos a coxinhas e optei por fazer sanduichinhos com diferentes recheios; Dividi o espaço dos refrigerantes com refrescos e café (óbvio!), e fiquei surpresa com a forma como a salada de frutas foi bem/rapidamente aproveitada.






Em vez de um bolo estilizado enfeitando a mesa e sendo servido só no final (alias, qual o sentido de ter bolo comemorativo em chá de bebê? Sei lá, pra mim bolo é pra bater parabéns, e nesse caso, ninguém tá fazendo aniversário!), fatiei bolos simples e servi cupcakes. Por algum motivo que eu não entendo, as pessoas só comem o cupcake no final ou levam pra casa, rs.

Dos itens "Coisas tradicionais de chá de bebê que eu não gosto mas deixei rolar" ficaram: o varal com algumas roupinhas da Eva, o bolo de fralda e a brincadeira excrota de ser pintada por não adivinhar presente(s) X. Este último eu bati o pé até o final da festa, mas acabei cedendo pra fazer a alegria das crianças.
Ps: Me arrependi bastante.

Terminei com um pentagrama imenso na testa e um pênis no lado esquerdo
da barriga. Felizmente estas fotos foram tiradas no começo.
Bom. No geral, o chá foi bem legal. Passei por esta convenção de um jeito agradável, fazendo-o do jeitinho que eu mais me sentisse a vontade e o $$$ permitisse (com as festas de fim de ano e a Eva chegando aí, não dá pra esbanjar dilmas). Quase pirei por causa do tempo com medo de chover ou ficar extremamente calor, mas acabou que o clima super ajudou. Além de que em nenhum momento do planejamento eu sabia exatamente o que/como eu queria fazer. A decoração e o lanche foi se definindo nos dois dias que antecederam o evento.
Eva ganhou muita fralda e presentes legais <3 E não, eu não posei pra foto na frente/atrás da mesa sozinha ou com parentes porque acho isso MUITO cafona e eu precisaria lidar com um nível de timidez que não consigo!

Assim como em todos os assuntos que dizem respeito a minha gestação e a futura criação da Eva, já que aceitei a experiência da maternidade, achei importante me envolver também em todo o processo de idealização e desenvolvimento do chá de fralda. E claro, tentando me divertir com cada passo e tornar o resultado divertido! Afinal, se não, que graça tem?

*"Chá de fraldas é feito com o intuito de arrecadar somente fraldas, você pode escolher a marca e o tamanho, já o chá de bebê você pede itens para o enxoval do bebê, podendo ser shampoo, condicionador, cotonete, sabonete, fralda de pano, macacões, toalhas... enfim qualquer produto do enxoval que queira."¹ - Mas acabou que Eva ganhou mais do que fraldas de qualquer jeito, rs.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Menina inquieta, essa Eva!

Sabe, uma das melhores coisas na gestação é sentir o bebê mexendo, e pra nossa alegria, Eva tá dominando essa arte.
Até comentei em um dos posts anteriores sobre a dificuldade de dormir - fortalecida na maioria das vezes pela agitação dessa guria-, mas não é só a noite que ela transforma meu útero em playground; Quando menos se espera, do nada a parede da minha barriga levanta.


Aconteceu que ontem foi dia de ultrassom morfológico, que serve para avaliar o desenvolvimento do bebê com bastante detalhe, incluindo os órgãos internos¹. De todos que já fiz, esse foi o exame mais duradouro, então deu pra namorar a imagem dela por quase meia hora.
Felizmente, tudo está ótimo! Até onde pode ver e saber, Eva está com tudo nos conformes, pesando 510 gramas e com cerca de 23 centímetros. Além do seu desenvolvimento estar no ritmo certo, ela já se encontra em posição cefálica, ou seja, de cabeça para baixo como se deseja que o neném fique pelo menos no final da gestação para nascer. Logo, se continuar assim, não há absolutamente nada que impeça meu aguardado parto normal (que vai ser pauta de um futuro post, aguardem)!

Mas o ponto alto do ultrassom foi ouvir a própria ultrassonografista falando que Eva é muito agitada. Esse "detalhe", que eu já estava cansada de saber, não só apareceu nas imagens do exame com ela mexendo o tempo todo e mudando de pose, como também foi até sentido pela doutora enquanto passava o aparelho em minha barriga. Ou seja, a danada não é só inquieta, mas também forte! (O vídeo abaixo mostra um momento gracinha dela chupando dedo:)


Eva é agora uma versão "pequena" de um bebê. Se por uma desventura ela nascesse neste período, em um hospital bem equipado, sua chance de sobreviver seria de 16%, mais ou menos. É uma chance bem pequena, mas já ouve casos (inclusive no Brasil). 

Ter esse momento te dá um choque de realidade muito grande. Você pensa que a ficha já caiu, mas a cada novo avanço e conforme chega mais perto da hora H, você nota que ainda não estava totalmente ciente do que está acontecendo. Tipo, tem uma vida crescendo dentro de mim! Um ser humano sendo formado, acolhido e protegido nesse pequeno espaço que é o útero e nós que fizemos!!!! Isso é fantástico e muito muito louco. rs

Agora que eu sei que está tudo bem, meu psicológico fica ainda mais fortalecido e só nos resta encarar os próximos meses para a chegada dessa garotinha.
Espero sim que ela continue agitada após pisar no mundo, pois vamos explorar toda essa energia das melhores e mais divertidas maneiras possíveis! Alias, não vejo a hora disso acontecer.
Vem fevereiro, vem!